domingo, 2 de maio de 2010

Máquina de matar

(Jornal Cachoeiras em 01/05/2010)

Bastante resistentes a enfermidades e possuidores de um fenótipo privilegiado, geralmente não necessitam de anabolizantes para aumento de peso, basta uma alimentação racional de boa qualidade e exercícios moderados, sendo o excesso também prejudicial, pois expõe perigosamente suas articulações e musculaturas.
Os cruzamentos feitos nos EUA originaram uma diversidade fenotípica que tornou difícil afirmar um padrão único para a raça, o que não acontece com seu parente próximo Starffordshire terrier, porém algumas características devem ser observadas: as orelhas podem ou não ser amputadas, sendo tal prática atualmente proibida por lei; a trufa (nariz) pode ser marrom, vermelha ou preta e o stop bem pronunciado; é permitida qualquer cor de pelagem. Possuem ainda a cabeça retangular, cujo crânio é achatado e mais largo na inserção das orelhas; a cauda é curta, se comparada ao corpo, fugindo ao padrão quando mantida sobre o dorso ou curvada e, olhos claros ou escuros, desde que arredondados.
Ocorre uma grande variação de temperamento dependendo do genótipo; desde animais extremamente agressivos, até verdadeiros cavalheiros seguros e controláveis.
Tanto o Pit Bull como o Starffordshire possuem forte inclinação para o ataque, não é incomum brigas entre mãe e filho e entre irmãos, mesmo de sexos diferentes.
É fundamental, ao escolher um filhote, ter conhecimento do temperamento da sua ascendência e atenção redobrada na importantíssima fase de socialização. O controle da agressividade é diretamente proporcional ao desenvolvimento psíquico nesta fase. Cães que recebem uma socialização inadequada terão considerável tendência a agressividade mórbida e ao descontrole emocional.
Os animais que são utilizados em rinhas ou com objetivos nada humanos passam por um cruel ritual desde filhotes, tornando-se verdadeiras máquinas de matar. Ficam presos em cavernas escuras por longos períodos, são humilhados e incentivados ao descontrole. Gatos, coelhos e aves vivas são usados nesse insano treinamento e os filhotes são estimulados a destroçar os pobres vira-latas.
Quem escolhe um Pit Bull deve ter consciência que tem sob sua responsabilidade um animal que se bem conduzido será um excelente guarda e um fiel companheiro porém, se negligenciado, invariavelmente se tornará numa arma letal com impacto mandibular de quase 1 tonelada de força. Realmente é uma arma bastante pesada.

sábado, 10 de abril de 2010

Dengue, a guerra perdida

(Cachoeiras Jornal - 10/04/2010)

O Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue no meio urbano, chegou a ser erradicado do país nos anos 50, mas retornou na década de 80 através do território de Roraima. De lá pra cá tomou conta do Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.
Adoecem a cada ano aproximadamente 80 milhões de pessoas em todo mundo pela sua picada. Em 2007 ocorreu uma grande epidemia no país com mais de 550.000 casos, dos quais 250 morreram com manifestações hemorrágicas.
Na atual conjuntura, a erradicação do Aedes é quase impossível, só restando o domínio de sua densidade para que o vírus DEN não se propague nas populações.
A utilização por si só de venenos larvicidas e adulticidas, além de ruinosa ao meio ambiente, tem se mostrado ineficaz, sem contar com o aparecimento de gerações de adultos e larvas resistentes.
Nosso geoclima tropical propicia a proliferação em curto espaço de tempo desse inseto, soma-se a este evento a pouca informação, a deseducação coletiva e a tênue interação do poder público com a população. Sem essa imprescindível relação nas ações de combate, a guerra estará sempre perdida.
Esse díptero possui armas poderosas: coloca mais de 300 descendentes a cada postura; pode voar a mais de mil metros do seu local de ovoposição; se multiplica com grande facilidade em qualquer depósito natural ou artificial que acumule água; deposita seus ovos na parede dos recipientes onde permanecem dessecados e viáveis por até um ano mesmo sem água, e encontram em cada habitação humana, potenciais criadouros para a sua perpetuação.
Ele é capaz de detectar o calor dos mamíferos de sangue quente e perceber o dióxido de carbono e o acido lático que exalamos na respiração a uma distância de quase 40 metros, vindo em nossa direção. No suor liberamos substâncias que também o atrai – pessoas que transpiram muito são mais vulneráveis à sua investida.
Existem estudos voltados ao desenvolvimento de métodos de monitoramento do mosquito através de armadilhas, uso de produtos atraentes, emprego de computadores portáteis e mapas geo-referenciados além da utilização de substâncias de controle alternativo como sal, água sanitária e borra de café.
Desestabilizar os focos e criadouros do vetor da dengue e febre amarela é tarefa de cada um, intransferível.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A crônica do jacaré

(Jornal Cachoeiras em 20/03/2010)

Paralisado no acostamento da Niterói - Friburgo nas imediações da Castália por problemas de locomoção, foi visto agonizando o sofrido “jacaré”. Vomitando óleo queimado, parecia padecer de alguma outra patologia de maior gravidade.
Certo dia, extremamente exausto e com sérios distúrbios mecânicos em sua traseira esquerda, rumou para a aprazível Boca do Mato, só não conseguiu chegar no ponto final porque entalou de lado na cancela “daquela” praça de pedágio. Só lhe restou uma humilhante marcha ré de volta à garagem, e aos seus ilustres passageiros prosseguirem na viação canela, até porque naquele horário, por volta das sete e meia da noite, as “lagartixas” já estavam dormindo.
Esses aligátores já passaram da terceira idade, suas artroses férricas e engrenagens enferrujadas impedem-lhes de cumprir, e com razão, seu horário de trabalho, deixando a pé e na mão os que deles dependem.
Há quem sinta falta da saudosa “perua”, que foi a antecessora do “jacaré”; há os que torcem pela substituição imediata dos atuais espécimes, por outros mais novos, seguros, e cumpridores de seus horários; e outros mais cruéis, acham que o melhor para os crocodilianos é um merecido descanso na “cidade dos pneus juntos”, isto é, num tranqüilo e enferrujado ferro velho.
É preocupante imaginar o velho “Jaca” desgovernado despencando sem breque por entre as curvas da zona sul do Paraíso das Águas Cristalinas.
Cada vez mais intenso é o tráfego de veículos pesados no seu itinerário, pondo em risco a sua integridade e as vidas humanas que dele depende.

sábado, 13 de março de 2010

Cães que matam

(Jornal Cachoeiras em 13/03/2010)

O coliseu foi palco de sangrentos combates quando os romanos levaram para o Império o pesado Mastiff inglês no primeiro século cristão para serem utilizados em confrontamentos com leões, texugos, ursos e macacos. Descendente do Old English Mastiff, o Bulldog inglês já mostrava semelhança com o atual Pit Bull.
Em Dog pits, famosa arena de cães em Londres do século XIX, o Old Bulldog era utilizado em sangrentos combates com outros cães e touros, para o deleite dos sádicos malucos daquela época.
Muitos sucumbiam pisoteados ou com as vísceras expostas pelas dilacerantes chifradas. Os touros, muito lentos ou cansados eram esbraseados com tochas, feridos com lanças ou tinham suas caudas quebradas para que continuassem no jogo. Vários cães eram utilizados nesses confrontos, que às vezes duravam horas.
Apesar de agressivos com outros animais os bulldogs eram muito lentos. Com intuito de eliminar esta característica indesejável, os criadores da época cruzaram-no com os destemidos Terriers, pela sua agilidade e determinação, originando o Pit terrier, Half and half, American Staffordshire e o Pit Bull Terrier.
Os ancestrais imediatos do Pit Bull são originários da Inglaterra e Irlanda do século XIX. Os americanos após muitos cruzamentos conseguiram um animal mais pesado, o American Pit Bull Terrier.
O Pit Bull é um animal que precisa de muito exercício físico, racionalidade e adestramento precoce, para evitar desvios de comportamento. Se tratado com afeto e humanidade, apesar de seu passado, é um animal leal, seguro, dócil e excelente cão de guarda e companhia.
Muitos confundem o Pit Bull com o Bull Terrier, o Bulldog Americano e o American Staffordshire, provavelmente devido à ancestralidade comum a essas raças.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O velho candeeiro

(Jornal Cachoeiras em 20/02/2010)

Se não bastasse a crônica escuridão política e moral na qual estamos submersos, voltamos ao velho tempo do candeeiro, fruto do descaso e da indiferença da concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica, que todo mês dá um iluminado choque em nossos bolsos nos vendendo caro este serviço tão essencial.
O apagão, que acontece quase que diariamente, afeta a todos; deixa revoltadas as noveleiras de carteirinha, os fanáticos torcedores de futebol, os globalizados internautas, além dos que tem seus aparelhos eletrodomésticos danificados. Também deixam em pânico os escotofóbicos, nas trevas o comércio com o escurecimento dos seus lucros e todos os que amplamente dependem dos volts e das amperagens geradas, principalmente quando o sol de põe.
“Iluminados” ficam os seres da noite, os sorrateiros noturnos, os gatunos de ocasião, os eletrofóbicos, além dos que se deleitam com a energia transcendental se entregando poeticamente às luzes dos astros e estrelas, sem falar dos caçadores de óvnis, dos pesquisadores de pirilampos, dos seres das trevas e de outras coisas mais...
Com toda energia popular neles concentradas, nossos representantes eleitos pelos volts, ou melhor, pelos votos, deveriam emergir da escuridão e com as suas espadas ígneas iluminar essa penumbra para que os candeeiros permaneçam somente como ornamentos de nossas salas de estar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Osso com angu

(Publicado no Jornal Cachoeiras em 13/02/2010)

Antes do advento da ração o bofe com fubá era a alimentação da grande maioria de cães e gatos. Nos finais de semana às vezes rolava sobra de churrasco e um osso de pernil sem o pernil, naturalmente.
O pulmão ou bofe é um tecido esponjoso, bem pobre em proteínas. No angu mais parece pedaços de esponja boiando numa amarela e pálida papa onde só rola carboidratos.
Essa de que cachorro adora osso é historia pra boi dormir, se lhe oferecêssemos a carne e ficássemos com o osso, ele adoraria a idéia.
Mas nem todos caíam no angu, só a maioria excluída; os mais sortudos degustavam carne magra, galinha sem aquele perigoso osso farpado, frutas não cítricas, arroz, pão integral dormido, fígado temperado e macarrão com semolina, e nos finais de semana picanha na chapa com arroz.
Atualmente existe uma gama de alimentos industrializados, ricos em proteínas de alta qualidade, vitaminas, aminoácidos, minerais quelados e fatores antioxidantes. E tantos outros com fibras indigestas, quase nenhuma vitamina e proteína de origem duvidosa, sem falar nos conservantes, pigmentantes, aglutinantes, acidulantes e estabilizantes.
Uma boa nutrição é base para uma vida saudável e a escolha de uma alimentação balanceada e rica em nutrientes é vital para o desenvolvimento físico e mental do seu animal.
Processos alérgicos, distúrbios digestivos e outras doenças vinculadas à alimentação podem ter relação com a má qualidade de algumas rações. Há relatos de entrarem na sua composição bico, unha, cabeça, pescoço e patas de galinha, ossos, unhas, fetos abortados, cabelos e outras proteínas de baixa qualidade. Sem contar com o milho, a soja e o trigo, fontes de proteínas indigestíveis para os cães e gatos e causa de problemas renais.
A propósito tenha um bom carnaval e atenção com o que come na rua. Peixe morre é pela boca.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O cão quase perfeito

(Publicado no Jornal Cachoeiras em 06/02/2010)

A fama de cão nazista fez com que perdesse a identidade e fosse rebatizado com o nome “pastor alsaciano”. Só em 1930 o Kennel Club permitiu novamente o nome pastor alemão. A animosidade no pós-guerra fez com que o pastor fosse evitado pelos países aliados, quando França e Inglaterra fecharam-lhe o acesso às suas fronteiras.
Na primeira grande guerra foi “cão alarme” e mensageiro, na segunda seu trabalho foi bem mais aturado, explodir minas e atacar o inimigo no “front”.
Os atuais pastores alemães descendem da intersecção de cães de pastoreio das Saxônias, da Germânia Meridional e de outras províncias. Por milhares de anos os alemães aprimoraram seus cães e, de prole em prole, chegaram ao primeiro da raça apresentado em 1882 por Max Von Stephanitz numa feira de eventos em Hannover.
É tido como o melhor cão adestrável e segundo “A inteligência dos Cães” de Stanley, o 3º mais atilado das quase oitenta raças estudadas.
Por sua bravura, lealdade e caráter incorruptível, se tornou o mais popular e admirado cão em todo mundo.
Congrega várias aptidões além do pastoreio: busca e salvamento, guarda companhia, guia de cego, guerra, polícia, além de um excelente farejador graças ao olfato extremamente aguçado.
Cinza, preto, amarelo e manto negro (capa preta), são as cores mais encontradas; o branco não é permitido pelos padrões da raça.
Dentre os pastores alemães famosos destacam-se Rin-tin-tin, companheiro fiel do Cabo Rusty; Lobo, do Vigilante Rodoviário; Jerry Lee do filme K-9; a inseparável Blondi que Hitler envenenou antes de se matar e Brenda Von Kinder do dedicado Boné.
As melhores características e aptidões da espécie canina estão concentradas neste versátil animal.

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