Jornal Cachoeiras 01 10 2010
A água que mata a sede também mata com suas poluições e contaminações, sem falar das mortandades decorrentes dos desastres hidrometeorológicos. No próximo século será a vez da escassez também matar.
Grande parte dos 0,6 % disponíveis para utilização está inadequada. Do que resta uma boa parcela é impotável e assola com seus agravos grande parte da humanidade, principalmente nos países pobres.
A água sofre contaminação orgânica através dos biodegradáveis oriundos da prática agrícola; da contaminação química pelo clorados orgânicos e metais pesados; e da contaminação biológica pelos microorganismos.
As verminoses, a amebíase, a febre tifóide, as leptospiroses, a hepatite e a cólera ainda matam populações nas nações excluídas. Segundo a OMS a cada vinte segundos uma criança menor de cinco anos morre por enfermidade diarréica. No Brasil são mais de três milhões de famílias sem água tratada, a mercê das conseqüências decorrentes da sua não potabilidade.
Cada um de nós consome 300 mil litros/ano, dos quais a metade é desperdiçada. Só com o banho jogamos fora vinte mil.
China, Índia, África e Oriente médio já sentem o problema da falta d’água. No próximo século as guerras, hoje políticas e pelo domínio do petróleo, serão motivadas pela água.
O desperdício é um grande aliado da futura escassez, junto à poluição e contaminação. Atitudes simples como evitar vazamentos, adotar banho racional, não “varrer” o quintal com água, e não lavar o carro e a calçada com mangueira ajuda na sua preservação.
É obrigação do estado fornecer água adequada para o consumo. Proteger essa substância formada pelos dois gases, hidrogênio e oxigênio, é dever jurídico de cada cidadão.
Para sua segurança só consuma água de procedência confiável e não a deixe parada por aí, o Aedes aegypti está a caminho.
sábado, 2 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
A asma e o gato
Jornal Cachoeiras 25 09 2010
Os gatos são ágeis, surpreendentes, independentes e bastante misteriosos. São tidos como os maiores predadores, pela forma, sagacidade e diversidade de vítimas que predam.
O Miacis é o seu ancestral, como de outros felinos e cães. Uma de suas ramificações deu origem ao primeiro gato, o prociluris, até chegar ao Felis lunensis, pai dos atuais gatos selvagens.
Esses felinos são bastante excêntricos, alguns adultos e nunca os filhotes, aprecia o “catnip”, uma erva que possui uma substância oleosa denominada hepetalactone, que lhes proporciona um estado de semiêxtase e euforia. Este óleo entra na confecção de muitos produtos e brinquedos de gatos, também é utilizado no reumatismo e como repelente de insetos.
Possuem o hábito de afiar as unhas em sofás, árvores e outros objetos. É uma forma de manter suas garras em dia e delimitar seu território.
Seus olhos brilham no escuro devido ao tapetum lucidum, uma camada de células especializadas localizada por detrás da retina, que reflete a luz através de suas pupilas dilatadas, acentuando sua visão noturna.
Existem várias teorias que explicam o ronronar, vocalização de baixo timbre audível a curta distância emitida geralmente quando o gato está feliz ou relaxado. Desde a passagem do ar pelas falsas cordas vocais e vibração das vizinhas pregas vestibulares até a passagem do sangue pela artéria aorta, resultando num ruído turbulento amplificado no seu diafragma. Atualmente acredita-se ser produzido por impulsos rítmicos da laringe. Sabe-se que o ronronar libera endorfinas levando o animal a uma sensação momentânea de felicidade e bem estar.
Os gatos não transmitem asma como muitos pensam. Uma proteína contida em sua saliva que fica na pelagem com a lambedura, se aspirada, desencadeia crises nos asmáticos. Banhos regulares diminuem a concentração desta substância nos pêlos, tornando-os menos incômodos. Crianças que convivem com os gatos desde a tenra infância podem desenvolver imunidade a esse alérgeno.
A propósito, os gatos devem ser vacinados anualmente contra a panleucopenia, clamidiose, calicivirose, rinotraqueíte e raiva.
Os gatos são ágeis, surpreendentes, independentes e bastante misteriosos. São tidos como os maiores predadores, pela forma, sagacidade e diversidade de vítimas que predam.
O Miacis é o seu ancestral, como de outros felinos e cães. Uma de suas ramificações deu origem ao primeiro gato, o prociluris, até chegar ao Felis lunensis, pai dos atuais gatos selvagens.
Esses felinos são bastante excêntricos, alguns adultos e nunca os filhotes, aprecia o “catnip”, uma erva que possui uma substância oleosa denominada hepetalactone, que lhes proporciona um estado de semiêxtase e euforia. Este óleo entra na confecção de muitos produtos e brinquedos de gatos, também é utilizado no reumatismo e como repelente de insetos.
Possuem o hábito de afiar as unhas em sofás, árvores e outros objetos. É uma forma de manter suas garras em dia e delimitar seu território.
Seus olhos brilham no escuro devido ao tapetum lucidum, uma camada de células especializadas localizada por detrás da retina, que reflete a luz através de suas pupilas dilatadas, acentuando sua visão noturna.
Existem várias teorias que explicam o ronronar, vocalização de baixo timbre audível a curta distância emitida geralmente quando o gato está feliz ou relaxado. Desde a passagem do ar pelas falsas cordas vocais e vibração das vizinhas pregas vestibulares até a passagem do sangue pela artéria aorta, resultando num ruído turbulento amplificado no seu diafragma. Atualmente acredita-se ser produzido por impulsos rítmicos da laringe. Sabe-se que o ronronar libera endorfinas levando o animal a uma sensação momentânea de felicidade e bem estar.
Os gatos não transmitem asma como muitos pensam. Uma proteína contida em sua saliva que fica na pelagem com a lambedura, se aspirada, desencadeia crises nos asmáticos. Banhos regulares diminuem a concentração desta substância nos pêlos, tornando-os menos incômodos. Crianças que convivem com os gatos desde a tenra infância podem desenvolver imunidade a esse alérgeno.
A propósito, os gatos devem ser vacinados anualmente contra a panleucopenia, clamidiose, calicivirose, rinotraqueíte e raiva.
sábado, 18 de setembro de 2010
Paz, amor e problemas
Jornal Cachoeiras 18 09 2010
“... Mas aos pombais as pombas voltam, e os sonhos aos corações não voltam mais.”
Esta analogia do parnaso Raimundo Correia, faz-me lembrar do dedicado professor Marcos, que lecionava português no Ginásio Anacleto de Queiroz da Cachoeiras dos anos 60.
Uma pomba simboliza a paz, duas o amor e mais, grandes problemas. O pombo foi introduzido no país por volta de 1606 através de navios oriundos do continente europeu, principalmente da costa da Inglaterra e Portugal. Encontraram nas cidades farta alimentação, abrigáveis condições arquitetônicas parecidas com o habitat rochoso de seus ancestrais do Velho Mundo, e a hospitalidade do brasileiro ao exótico.
Anualmente a Columba liva gera seis ninhadas de dois ovos chocados em 18 dias. Seus predadores naturais são as aves de rapina que, em pequeno número nas áreas urbanas, nem chegam a ameaçá-los. Em aeroportos são empregados falcões no seu controle já que é uma ameaça à segurança dos vôos.
Essa ave Columbidae alberga organismos e vetores de enfermidades comuns ao homem, como a histoplasmose, criptococose, toxoplasmose, ornitose, salmonelose e piolhos, que abrigam a bactéria Rickéttsia, responsável pelo “tifo epidérmico” em humanos. Quando os pombos são expulsos, os famintos ácaros hematófagos saem sedentos à procura de sangue humano para o seu repasto.
Os pombos não só transmitem enfermidades, como também causam danos materiais, entupindo ralos, calhas e corroendo metais, madeiras, pedras e superfícies das edificações devido à acidez dos excrementos.
Existem vários métodos de controle, que vão desde a utilização de barreira física, inclinação de superfície de pouso, pombais de reprodução controlada, assustadores auditivos e visuais, uso de repelentes e emprego de anticoncepcional. Obtêm-se melhores resultados com a integração de métodos.
Segundo o Artigo 20, parágrafo XXX da Lei Ambiental 9605/98, os pombos são animais domésticos, matá-los ou causar-lhes danos físicos é passível de pena de reclusão inafiançável de até cinco anos. Daí a importância da inclusão da educação sanitária nas atividades de controle voltada a não alimentá-los, já que a oferta de alimentos é diretamente proporcional ao seu aumento populacional.
Ronaldo Rocha
“... Mas aos pombais as pombas voltam, e os sonhos aos corações não voltam mais.”
Esta analogia do parnaso Raimundo Correia, faz-me lembrar do dedicado professor Marcos, que lecionava português no Ginásio Anacleto de Queiroz da Cachoeiras dos anos 60.
Uma pomba simboliza a paz, duas o amor e mais, grandes problemas. O pombo foi introduzido no país por volta de 1606 através de navios oriundos do continente europeu, principalmente da costa da Inglaterra e Portugal. Encontraram nas cidades farta alimentação, abrigáveis condições arquitetônicas parecidas com o habitat rochoso de seus ancestrais do Velho Mundo, e a hospitalidade do brasileiro ao exótico.
Anualmente a Columba liva gera seis ninhadas de dois ovos chocados em 18 dias. Seus predadores naturais são as aves de rapina que, em pequeno número nas áreas urbanas, nem chegam a ameaçá-los. Em aeroportos são empregados falcões no seu controle já que é uma ameaça à segurança dos vôos.
Essa ave Columbidae alberga organismos e vetores de enfermidades comuns ao homem, como a histoplasmose, criptococose, toxoplasmose, ornitose, salmonelose e piolhos, que abrigam a bactéria Rickéttsia, responsável pelo “tifo epidérmico” em humanos. Quando os pombos são expulsos, os famintos ácaros hematófagos saem sedentos à procura de sangue humano para o seu repasto.
Os pombos não só transmitem enfermidades, como também causam danos materiais, entupindo ralos, calhas e corroendo metais, madeiras, pedras e superfícies das edificações devido à acidez dos excrementos.
Existem vários métodos de controle, que vão desde a utilização de barreira física, inclinação de superfície de pouso, pombais de reprodução controlada, assustadores auditivos e visuais, uso de repelentes e emprego de anticoncepcional. Obtêm-se melhores resultados com a integração de métodos.
Segundo o Artigo 20, parágrafo XXX da Lei Ambiental 9605/98, os pombos são animais domésticos, matá-los ou causar-lhes danos físicos é passível de pena de reclusão inafiançável de até cinco anos. Daí a importância da inclusão da educação sanitária nas atividades de controle voltada a não alimentá-los, já que a oferta de alimentos é diretamente proporcional ao seu aumento populacional.
Ronaldo Rocha
sábado, 11 de setembro de 2010
Do vilão Drácula ao herói Batman
Jornal Cachoeiras 11 09 2010
Associados à noite, à natureza proibida e metamorfoseados no vilão Drácula e no herói Batman, esses únicos mamíferos voadores dividem com sanguessugas, carrapatos, pulgas, barbeiros, percevejos, tentilhões vampiros, candirus, piranhas e fêmeas de mosquito o gosto pelo rubro néctar da vida que corre nas veias, vênulas, artérias e arteríolas dos animais de sangue quente.
Todas as noites colônias de morcegos saem de seus abrigos a procura de alimento. A maioria, das mais de mil espécies, é onívora, insetívora, folívora, ranívora, carnívora, nectarívora, melinívora, polinívora, piscívora, frugívora e apenas três se alimentam de sangue, o comum Desmodus rotundus, o de perna peluda Diphylla ecaudata e o de asa branca Diaemus youngi, encontrados somente no sul do México, nas Ilhas Caribenhas e no continente sul americano.
Esses alados mamíferos hematófagos possuem afiadíssimos dentes cortantes. Localizam vasos sanguíneos na pele de sua vítima através da termorrecepçcão, evitando com isto despertar a vítima com mordida desnecessária que é superficial e quase indolor. O sangue incoagulável que flui do vaso rompido é lambido, e não sorvido como muitos pensam. O morcego vampiro volta sedento ao local ferido a cada dois a três dias podendo provocar anemia, infecção na pele e miíase (bicheira), e são transmissores da temível raiva principalmente nos herbívoros.
Não mate indiscriminadamente os quirópteros, pois muitas espécies fazem parte da cadeia alimentar, vital para a saúde do meio ambiente. Os que se alimentam de frutas podem dispersar mais de 500 sementes em uma única noite e são os maiores polinizadores de bananais nas matas nativas. Os insetívoros ingerem por dia aproximadamente quase metade do seu peso em insetos. Deve-se ter cuidado para não eliminar as espécies inócuas que compartilham com os vampiros os abrigos em baixo de pontes, grutas, telhados, cavernas, túneis ou casas abandonadas. A mordida em humanos é rara e quando acontecem os locais preferidos são os espaços interdigitais das mãos e dos pés, pescoço, orelhas, braços e pernas.
Em suas fezes dessecadas pode ocorrer desenvolvimento do fungo que causa a histoplasmose. Para evitar a absorção do esporo do Histoplasma capsulatum deve-se usar proteção na boca e nariz sempre que entrar em seus abrigos.
As substâncias vampiricidas só devem ser utilizadas por pessoal treinado. Impedir através da vedação o acesso aos forros e sótãos e utilizar luminosidade e produtos repelentes são maneiras de evitar a concentração desses animais.
Em caso de acidente com morcegos procure cuidado médico.
Associados à noite, à natureza proibida e metamorfoseados no vilão Drácula e no herói Batman, esses únicos mamíferos voadores dividem com sanguessugas, carrapatos, pulgas, barbeiros, percevejos, tentilhões vampiros, candirus, piranhas e fêmeas de mosquito o gosto pelo rubro néctar da vida que corre nas veias, vênulas, artérias e arteríolas dos animais de sangue quente.
Todas as noites colônias de morcegos saem de seus abrigos a procura de alimento. A maioria, das mais de mil espécies, é onívora, insetívora, folívora, ranívora, carnívora, nectarívora, melinívora, polinívora, piscívora, frugívora e apenas três se alimentam de sangue, o comum Desmodus rotundus, o de perna peluda Diphylla ecaudata e o de asa branca Diaemus youngi, encontrados somente no sul do México, nas Ilhas Caribenhas e no continente sul americano.
Esses alados mamíferos hematófagos possuem afiadíssimos dentes cortantes. Localizam vasos sanguíneos na pele de sua vítima através da termorrecepçcão, evitando com isto despertar a vítima com mordida desnecessária que é superficial e quase indolor. O sangue incoagulável que flui do vaso rompido é lambido, e não sorvido como muitos pensam. O morcego vampiro volta sedento ao local ferido a cada dois a três dias podendo provocar anemia, infecção na pele e miíase (bicheira), e são transmissores da temível raiva principalmente nos herbívoros.
Não mate indiscriminadamente os quirópteros, pois muitas espécies fazem parte da cadeia alimentar, vital para a saúde do meio ambiente. Os que se alimentam de frutas podem dispersar mais de 500 sementes em uma única noite e são os maiores polinizadores de bananais nas matas nativas. Os insetívoros ingerem por dia aproximadamente quase metade do seu peso em insetos. Deve-se ter cuidado para não eliminar as espécies inócuas que compartilham com os vampiros os abrigos em baixo de pontes, grutas, telhados, cavernas, túneis ou casas abandonadas. A mordida em humanos é rara e quando acontecem os locais preferidos são os espaços interdigitais das mãos e dos pés, pescoço, orelhas, braços e pernas.
Em suas fezes dessecadas pode ocorrer desenvolvimento do fungo que causa a histoplasmose. Para evitar a absorção do esporo do Histoplasma capsulatum deve-se usar proteção na boca e nariz sempre que entrar em seus abrigos.
As substâncias vampiricidas só devem ser utilizadas por pessoal treinado. Impedir através da vedação o acesso aos forros e sótãos e utilizar luminosidade e produtos repelentes são maneiras de evitar a concentração desses animais.
Em caso de acidente com morcegos procure cuidado médico.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O ataque do cachorro louco
Jornal Cachoeiras 28 08 2010
Desde que o Imperador romano Cesar Augusto, para não ficar atrás de Julio César homenageado com o mês de julho, colocou 31 dias no seu agosto as coisas não deram certo para este mês carregado de agouros e superstições.
Agosto carrega fatos que corroboram sua negatividade - o start da primeira grande guerra, o suicídio de Vargas, a edificação do muro de Berlim, o início da matança entre Católicos e Protestantes na Irlanda, a desintegração de quase 150 mil pessoas em Nagasaki e Hiroshima, renuncia de Jânio Quadros, morte súbita de Juscelino Kubitschek e o ataque do cachorro louco. Não é a toa que a campanha anual de vacinação anti-rábica é realizada em setembro, logo após agosto.
Deixando as superstições e magias à parte, a verdade é que a grande luminosidade dessa época do ano incita o cio e a sexualidade dos mamíferos, e em conseqüência a promiscuidade e contendas com a inevitável disseminação do letal vírus da raiva, principalmente nos cães de rua. No Brasil o transmissor do Rabdovírus para os animais é o morcego hematófago (Desmodus rotundus). Na raiva humana o principal reservatório é o cão, mas outros mamíferos também podem estar envolvidos. A única forma de transmissão conhecida entre humanos é através do transplante de córnea.
Na Grécia antiga Aristóteles, o aluno de Platão, já alertava sobre o perigo da mordida dos cães raivosos, época em que pensavam que a sede intensa, insatisfação sexual, hiper excitabilidade ou ingestão de alimentos muito quentes causava raiva.
A partir do local mordido, arranhado ou lambido, as partículas virais contidas na saliva ganham os axônios das terminações nervosas, propagando-se em direção à medula espinhal e cérebro, numa velocidade de 1 mm por hora. A vítima fica consciente em toda sua progressão, vivenciando o quadro clínico da fase de excitação, com espasmos alucinantes da laringe e faringe e dores lancinantes ao ingerir água e alimentos, o que ocasiona um medo intenso de líquidos, daí o nome hidrofobia. Nesta fase pode ocorrer hostilidade, agressão, alucinação e ansiedade extrema decorrente de estímulos aleatórios visuais e acústicos. A fase paralítica termina em asfixia, coma e morte.
Animais susceptíveis a raiva devem ser vacinados anualmente, e acidentes com os mesmos requer atenção dos serviços de saúde impreterivelmente.
Vacine seu cão e gato contra a raiva, em beneficio de homens e animais.
“Homenageio com este trabalho o maior especialista em raiva que se teve notícia, meu professor de virologia Dr. Renato Silva que muito contribuiu com seu saber nas salas da UFRRJ.”
Desde que o Imperador romano Cesar Augusto, para não ficar atrás de Julio César homenageado com o mês de julho, colocou 31 dias no seu agosto as coisas não deram certo para este mês carregado de agouros e superstições.
Agosto carrega fatos que corroboram sua negatividade - o start da primeira grande guerra, o suicídio de Vargas, a edificação do muro de Berlim, o início da matança entre Católicos e Protestantes na Irlanda, a desintegração de quase 150 mil pessoas em Nagasaki e Hiroshima, renuncia de Jânio Quadros, morte súbita de Juscelino Kubitschek e o ataque do cachorro louco. Não é a toa que a campanha anual de vacinação anti-rábica é realizada em setembro, logo após agosto.
Deixando as superstições e magias à parte, a verdade é que a grande luminosidade dessa época do ano incita o cio e a sexualidade dos mamíferos, e em conseqüência a promiscuidade e contendas com a inevitável disseminação do letal vírus da raiva, principalmente nos cães de rua. No Brasil o transmissor do Rabdovírus para os animais é o morcego hematófago (Desmodus rotundus). Na raiva humana o principal reservatório é o cão, mas outros mamíferos também podem estar envolvidos. A única forma de transmissão conhecida entre humanos é através do transplante de córnea.
Na Grécia antiga Aristóteles, o aluno de Platão, já alertava sobre o perigo da mordida dos cães raivosos, época em que pensavam que a sede intensa, insatisfação sexual, hiper excitabilidade ou ingestão de alimentos muito quentes causava raiva.
A partir do local mordido, arranhado ou lambido, as partículas virais contidas na saliva ganham os axônios das terminações nervosas, propagando-se em direção à medula espinhal e cérebro, numa velocidade de 1 mm por hora. A vítima fica consciente em toda sua progressão, vivenciando o quadro clínico da fase de excitação, com espasmos alucinantes da laringe e faringe e dores lancinantes ao ingerir água e alimentos, o que ocasiona um medo intenso de líquidos, daí o nome hidrofobia. Nesta fase pode ocorrer hostilidade, agressão, alucinação e ansiedade extrema decorrente de estímulos aleatórios visuais e acústicos. A fase paralítica termina em asfixia, coma e morte.
Animais susceptíveis a raiva devem ser vacinados anualmente, e acidentes com os mesmos requer atenção dos serviços de saúde impreterivelmente.
Vacine seu cão e gato contra a raiva, em beneficio de homens e animais.
“Homenageio com este trabalho o maior especialista em raiva que se teve notícia, meu professor de virologia Dr. Renato Silva que muito contribuiu com seu saber nas salas da UFRRJ.”
sábado, 21 de agosto de 2010
Que mico!
Jornal Cachoeiras 21 08 2010
Faltam menos de 10 % para a aniquilação total da Mata Atlântica, mas mesmo assim ela ainda detém a maior diversidade de todos os ecossistemas do planeta, só perdendo para as florestas de Madagascar, que também tem sérios problemas ambientais. Um único hectare da Atlântica comporta mais espécies de árvores do que todo continente europeu.
Oriundos da caatinga arbórea da região do Velho Chico e do Cerrado Baiano, as populações de sagüis de tufo preto (Callithrix penicillata) e o de tufo branco (Callithrix jacchus), crescem em progressão geométrica no novo lar, causando reflexos negativos na vida da mata fluminense.
Ameaçados estão o sagüi-da-serra (Callithrix flaviceps), o “caveirinha” sagüi-da-serra-escuro (Callithrix aurita) e o mico leão dourado (Leontopithecus rosalia). Também reclamam da “ocupação” os sabiás, os sanhaços e outros passeriformes que perdem seus ovos para os pequenos primatas nordestinos. Estes grileiros calitriquiídeos predam, roubam a moradia e saqueiam o alimento dos primatas cariocas. Sob o ponto de vista da saúde pública hospedam o herpes vírus e são um dos principais transmissores da temida raiva humana no Nordeste Brasileiro.
A invasão de um habitat por espécies não autóctones ocasiona outro problema, a temida hibridação com o crescimento de populações mestiças que tendem a tomar o lugar dos habitantes locais, pondo em xeque os programas de conservação.
Atualmente o animal exótico é a segunda maior ameaça à biodiversidade em todo mundo, só ficando atrás do desmatamento e da queimada. No país existe perto de meia centena deles, dos quais a rã touro, o mexilhão vermelho, o búfalo, o javali e o caramujo africano preocupam por sua alta dispersão. O mexilhão foi o único não solto na natureza; chegou a nós vindos dos rios chineses na água de lastro dos navios.
É uma tendência humana alimentar estes primatas silvestres, o que não é bom nem para eles e nem para o meio ambiente. O ideal seria removê-los do habitat ou, esterilizar suas populações através de meios contraceptivos, o que não é barato.
Há relatos da soltura de micos resgatados por órgãos de controle ambiental em atividades de fiscalização, colaborando com a dispersão dos sagüis invasores. Que mico!
Faltam menos de 10 % para a aniquilação total da Mata Atlântica, mas mesmo assim ela ainda detém a maior diversidade de todos os ecossistemas do planeta, só perdendo para as florestas de Madagascar, que também tem sérios problemas ambientais. Um único hectare da Atlântica comporta mais espécies de árvores do que todo continente europeu.
Oriundos da caatinga arbórea da região do Velho Chico e do Cerrado Baiano, as populações de sagüis de tufo preto (Callithrix penicillata) e o de tufo branco (Callithrix jacchus), crescem em progressão geométrica no novo lar, causando reflexos negativos na vida da mata fluminense.
Ameaçados estão o sagüi-da-serra (Callithrix flaviceps), o “caveirinha” sagüi-da-serra-escuro (Callithrix aurita) e o mico leão dourado (Leontopithecus rosalia). Também reclamam da “ocupação” os sabiás, os sanhaços e outros passeriformes que perdem seus ovos para os pequenos primatas nordestinos. Estes grileiros calitriquiídeos predam, roubam a moradia e saqueiam o alimento dos primatas cariocas. Sob o ponto de vista da saúde pública hospedam o herpes vírus e são um dos principais transmissores da temida raiva humana no Nordeste Brasileiro.
A invasão de um habitat por espécies não autóctones ocasiona outro problema, a temida hibridação com o crescimento de populações mestiças que tendem a tomar o lugar dos habitantes locais, pondo em xeque os programas de conservação.
Atualmente o animal exótico é a segunda maior ameaça à biodiversidade em todo mundo, só ficando atrás do desmatamento e da queimada. No país existe perto de meia centena deles, dos quais a rã touro, o mexilhão vermelho, o búfalo, o javali e o caramujo africano preocupam por sua alta dispersão. O mexilhão foi o único não solto na natureza; chegou a nós vindos dos rios chineses na água de lastro dos navios.
É uma tendência humana alimentar estes primatas silvestres, o que não é bom nem para eles e nem para o meio ambiente. O ideal seria removê-los do habitat ou, esterilizar suas populações através de meios contraceptivos, o que não é barato.
Há relatos da soltura de micos resgatados por órgãos de controle ambiental em atividades de fiscalização, colaborando com a dispersão dos sagüis invasores. Que mico!
sábado, 14 de agosto de 2010
O inseto da bananeira
Jornal Cachoeiras 14 08 2010
Este díptero culicóide de hábito diurno sorve nosso sangue não pra se alimentar - pois seu cardápio é constituído basicamente de extratos vegetais - mas para maturar os seus ovos.
O mosquito pólvora ou maruim – que em tupi guarani quer dizer mosca pequena - ataca principalmente no crepúsculo. Há muita coceira e dor local provocada pela presença de uma alergênica proteína na sua saliva, o que pode resultar em distúrbios na pele decorrentes dos microtraumas oriundos da intensa coçadura.
Por ser minúsculo não é muito notado e voa pouco, não se distanciando muito do seu local de eclosão; é mais ativo na estação quente.
Além do incômodo doloroso pode transmitir algumas enfermidades durante o repasto sanguíneo. Em algumas regiões do Norte é responsável por epidemias da “febre de Oropouche” e de outras encefalites viróticas no homem. Em locais endêmicos veicula o verme nematóide Wuchereria agente causador da filariose ou elenfatíase. É também responsável pela transmissão do vírus da língua azul (blue tong) nos animais biungulados.
Prolifera na matéria orgânica das quentes e úmidas matas riachos e brejos; o principal nicho para a sua reprodução é o pseudocaule, folha, engaço e coração da Musaceae (bananeira) em decomposição. Sua densidade é maior nas proximidades das plantações de banana.
Colocar telas finas nas portas e janelas, vestir calças e camisas de manga comprida e utilizar inseticidas com precaução são maneiras de se proteger da investida deste artrópode.
Uma receita caseira para aliviar a prurido e minimizar a vermelhidão na pele é colocar no local uma pasta espessa de maizena com vinagre.
È importante para o seu controle um manejo racional do cultivo da banana. O maruim também se alimenta no apodrecimento da casca do arroz e outros restos de plantações.
Seus predadores naturais provavelmente são os anfíbios e as aves.
Este díptero culicóide de hábito diurno sorve nosso sangue não pra se alimentar - pois seu cardápio é constituído basicamente de extratos vegetais - mas para maturar os seus ovos.
O mosquito pólvora ou maruim – que em tupi guarani quer dizer mosca pequena - ataca principalmente no crepúsculo. Há muita coceira e dor local provocada pela presença de uma alergênica proteína na sua saliva, o que pode resultar em distúrbios na pele decorrentes dos microtraumas oriundos da intensa coçadura.
Por ser minúsculo não é muito notado e voa pouco, não se distanciando muito do seu local de eclosão; é mais ativo na estação quente.
Além do incômodo doloroso pode transmitir algumas enfermidades durante o repasto sanguíneo. Em algumas regiões do Norte é responsável por epidemias da “febre de Oropouche” e de outras encefalites viróticas no homem. Em locais endêmicos veicula o verme nematóide Wuchereria agente causador da filariose ou elenfatíase. É também responsável pela transmissão do vírus da língua azul (blue tong) nos animais biungulados.
Prolifera na matéria orgânica das quentes e úmidas matas riachos e brejos; o principal nicho para a sua reprodução é o pseudocaule, folha, engaço e coração da Musaceae (bananeira) em decomposição. Sua densidade é maior nas proximidades das plantações de banana.
Colocar telas finas nas portas e janelas, vestir calças e camisas de manga comprida e utilizar inseticidas com precaução são maneiras de se proteger da investida deste artrópode.
Uma receita caseira para aliviar a prurido e minimizar a vermelhidão na pele é colocar no local uma pasta espessa de maizena com vinagre.
È importante para o seu controle um manejo racional do cultivo da banana. O maruim também se alimenta no apodrecimento da casca do arroz e outros restos de plantações.
Seus predadores naturais provavelmente são os anfíbios e as aves.
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