domingo, 13 de dezembro de 2009

Benefícios da esterilização

O crescimento da população de cães de rua é alimentado pelos animais semidomiciliados, isto é, aqueles que tem moradia, mas transitam nos logradouros públicos; e por cães abandonados.
Apesar de todos os riscos que a vida errante proporciona, o aumento populacional de animais desamparados, foi bastante significativo nas últimas décadas, até porque a densidade demográfica humana, da qual são dependentes, cresce assustadoramente.
A esterilização animal ainda é o melhor método contraceptivo, tanto para impedir o nascimento de crias indesejadas, como para reduzir a taxa de natalidade dos animais excluídos e conseqüentemente evitar o desumano holocausto animal, ainda em prática em nosso país.
Sob o ponto de vista médico a castração tem suas vantagens. Reduzem significativamente o risco de doenças relacionadas à reprodução como a piometra (grave infecção uterina), câncer de mama (o segundo mais freqüente nas cadelas), pseudogestação (falsa prenhes) e aquelas enfermidades geneticamente dependentes, como o tumor venéreo, displasia da articulação coxofemoral, epilepsia, catarata juvenil, sarna demodécica, etc.
Sob a ótica comportamental ocorre diminuição da agressividade relacionada à sexualidade, da demarcação de território (xixi em locais inadequados), do constrangimento da masturbação em objetos e pessoas, e de fugas arriscadas a procura de acasalamento.
Essas vantagens são mais acentuadas na esterilização precoce, feita antes na puberdade.
Muito se fala sobre os inconvenientes relacionados à esterilização como a obesidade, diminuição indesejável da agressividade, retardo do crescimento e apatia. Realmente ocorre ganho de peso após a cirurgia, provocado pelo aumento do apetite e não pela castração, o que requer maior controle na ingestão de alimentos calóricos. A agressividade que diminui é a que tem relação com sexualidade. Ao contrário do que se pensa, nos animais precocemente esterilizados, há aumento do tamanho do animal devido ao retardo do fechamento da epífise óssea (responsável pelo crescimento do osso), indesejável em animais destinados a exposições.
Existe uma apreensão quanto à perda do desejo e satisfação sexual decorrentes da castração. Nos animais a libido é dependente de fatores hormonais e não psicológicos como ocorre nos humanos, a cópula é instintiva e só acontece com finalidade reprodutiva.

Jornal A voz da Cidade – 25/03/2006

Pseudo-humanos animais

O estreitamento da relação humana com animais domésticos, característica dos grandes centros, evidencia distúrbios sociais, emanantes da conflitante e desenfreada urbanização, calcada no ganho de capital e na desvalorização humana.
Nesse estreito convívio o papel animal sofreu significativas mudanças de acordo com as patologias sociais da humanidade que os acolheu. As neuroses contemporâneas, o egocentrismo, as sociopatias, a desvalorização da vida e a clara inversão de valores geram núcleos familiares desequilibrados e como conseqüência animais com distúrbios sociais e comportamentais diversos. Males que sobremaneira refretirão em sua esfera física, com quadros clínicos diversos como auto-mutilação, obesidade, enfermidades dermatológicas e outras organopatias.
Num futuro bem próximo haverá necessidade de maior atenção voltada à psique animal com a utilização de substâncias estabilizantes e psicoterapia. Será o avanço da “psiquiatria animal” atrelada a humana já que a gênese de suas patologias são originárias das famílias ao qual pertençam.
É inegável que a maior proximidade com os humanos rende-lhes alguns dividendos como maior atenção com a sua saúde e melhor alimentação, naturalmente em lares onde são considerados e respeitados. Em contrapartida o estreitamento e a imposição de comportamentos humanóides aos animais imputa-lhes perda da identidade da espécie e absorção de psicopatologias humanas.
Na relação familiar o animais domésticos tornaram-se membros pseudo humanos de uma sociedade sem rumo e desalinhada. Pobres animais, serão vítimas da catástrofe e sucumbirão com a espécie humana.

Jornal A Voz da Cidade – 28/01/2006

Aedes e Achatina, o mau que se aproxima

Qualquer interferência no equilíbrio ambiental, fatalmente resultará em proliferação de uma determinada espécie vegetal ou animal, trazendo consigo conseqüências até previsíveis, para a saúde e o meio ambiente. O desmatamento irrefreável, a poluição, a ingerência deletéria nos ecossistemas, a falta de critérios na importação de espécies exóticas e o planejamento urbano desumano e irracional, são os principais fatores responsáveis por este desequilíbrio.
O Aedes aegypti vetor da dengue e febre amarela, encontrado em 3600 municípios do país, tem de ser submetido a um alentado processo de erradicação, para eximir o aparecimento de novos surtos da dengue com virulência cada vez maior a cada ciclo. O controle vem razoavelmente sendo desenvolvido pelo poder público, porém, uma das mais importantes atividades: o envolvimento racional da população nas atividades ainda é subestimado. A participação da comunidade como um todo, é necessária e imprescindível, e cada indivíduo tem a obrigação de, sob orientação dos órgãos responsáveis, desestabilizar o criadouro do mosquito, a maioria dos focos é encontrada no domicílio e sua cercania. Só assim a eficácia dos programas de combate e a almejada e necessária erradicação desses vetores acontecerão.
É de vital importância que cada cidadão fique alerta com relação ao “criadouro” do mosquito, que pode ser desde uma casca de ovo, uma bromélia, pneus velhos, um vaso de planta aquática, uma caixa d’água destampada até piscinas abandonadas.
Uma epidemia, com a forma hemorrágica desta arbovirose seria uma catástrofe, a rede pública de saúde desestruturada não suportaria tal demanda.
Outro perigo iminente é o Achatina fulica que deposita no ambiente aproximadamente duas centenas de ovos a cada postura bimestral que com as chuvas eclodirão e uma nova safra deste caracol (caramujo é aquático), estará saboreando nossas plantações, hortas, pomares e jardins. Esse molusco transmite a Angiostrongilíase abdominal e a meningoencefálica com morbidade e letalidade consideráveis.
Para o seu controle evite acúmulo de lixo e proceda a catação manual, afogando-os numa solução saturada de sal, sem esquecer de proteger as mãos, porque o helminto Angiostrongylus cantonensis como o costaricense, estão presentes em suas secreções. Deve-se ter o cuidado para não exterminar os exemplares da fauna autóctone o que causaria mais desequilíbrio. É importante saber diferenciá-los.

Jornal A voz da Cidade – 29/10/2005

Vorazes e perigosos

Os hematófagos carrapatos permanecem vivos por quase um ano na ausência do rubro alimento. Seu processo reprodutivo é dinâmico, uma única fêmea pode gerar até milhares descendentes.
Além de transmissores de enfermidades mortais, vampirisam suas vítimas debilitando-as. Depois dos mosquitos são os principais transmissores de agentes parasitas do interior das células do sangue.
Os cães são suas maiores vítimas. A incapacidade de defesa decorrente da clausura em canis e confinamento em correntes torna-os vulneráveis a infestações maciças por carrapatos, aumentando conseqüentemente o risco de alterações sangüíneas e pré-disposição a microorganismos letais como os dos gêneros Babesia e Ehrlichia, além da Hemobartonella e Hepatozoon.
Na babesiose os protozoários aniquilam os glóbulos vermelhos do animal, causando-lhe uma grave e profunda anemia. Na erlichiose a anemia é aplástica, oriunda de alterações que as pequenas bactérias causam nos locais onde são produzidas as hemácias. São enfermidades sensíveis ao tratamento, desde que diagnosticada a tempo; nos casos graves a transfusão sanguínea é imprescindível.
Esses artrópodes transmitem para o homem através da picada, bactérias causadoras da rara doença de Lyme (Borrelia burgdorferi), caracterizada por graves alterações cardíacas, oftálmicas, articulares e neurológicas e da febre maculosa (Rickettsia rickettsii) conhecida como “Febre das montanhas”, que provocam máculas, complicações pulmonares, vasculares, hemorrágicas e choque. A maioria dos indivíduos com a forma grave desta entidade mórbida evoluem para o óbito.
O estado de Minas Gerais é o mais afetado pela febre das montanhas com inúmeros casos registrados, seguidos de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e mais recentemente Santa Catarina.
São fases do ciclo biológico dos carrapatos: o ovo, as larvas de primeiro, segundo e terceiro estágio, a ninfa e o adulto. Só as fases de ninfa (com três pares de patas) e a adulta (com quatro) são veiculadoras destas zoonoses.
Como prevenção evite contato com os carrapatos, protegendo-se com roupas claras, compridas e com a camisa para dentro da calça, quando em locais infestados. Ao retirá-lo da pele evite puxa-lo bruscamente, pois parte do seu aparelho bucal poderá ficar retido causando infecção local. Uma leve rotação na retirada evitará que isto ocorra. É comum o uso de cabeça de fósforos quente com intuito de desprende-lo, o que deve ser evitado, pois o “stress” provocado pelo calor, faz com que liberem germes patogênicos no local da picada.

Jornal A Voz da Cidade – 06/08/2005

A água nossa de cada dia

Nosso município tem o privilégio de ter uma das mais bonitas áreas arborizadas do Estado, com águas translúcidas em abundância, rios e cachoeiras paradisíacas e excelentes fontes de água mineral. Poucos municípios dispõem dessas dádivas naturais.
Existe uma preocupação global com relação à escassez de água potável e suas previsíveis conseqüências. Menos de 3 % da água do planeta é doce, apenas 0,6 % está disponível e mais da metade está poluída. A água não acaba, a sua disponibilidade e potabilidade é que diminuem em virtude do inconcebível desmatamento, da utilização irracional, do desperdício e da contaminação direta e indireta dos seus mananciais.
A água é o principal meio de disseminação de agentes transmissores de agravos a saúde como bactérias, vírus, fungos, vermes e protozoários.
Hepatite, cólera, amebíase, leptospirose, helmintíase e disenteria, em pleno século XXI, ainda causam morbidades e óbitos, principalmente nos países emergentes. Sem falar na Angiostrongilíase abdominal transmitida pelo caracol Achatina fulica, que pode ser confundida com a “apendicite aguda”, levando muita vezes, por falta de diagnóstico etiológico, a atos cirúrgicos desnecessários.
A água destinada ao consumo, obrigatoriamente tem de ser submetida a parâmetros microbiológicos e atender a padrões de potabilidade antes da sua utilização.
A contaminação fecal da água continua sendo um desafio para a medicina nos países do terceiro mundo e grande parte das enfermidades que assolam suas populações são decorrentes de patógenos por ela veiculados.
Eliminar as valas negras, dar um destino racional ao lixo, desenvolver programas de controle de zoonoses e fauna sinantrópica, investir na potabilidade de nossas fontes hídricas e promover atividades de educação sanitária são elementos vitais para o almejado “paraíso das águas cristalinas”.

Jornal a voz da Cidade – 03/09/2005

Caronas do carraparo

Diversos seres inferiores atacam os animais em seus ambientes. Alguns são bem chegados ao vampirismo, como as pulgas, os mosquitos e os carrapatos. Eles não só sugam com voracidade o precioso sangue do seu animal como deixam no seu corpo, a reboque, mortíferos microorganismos.
O carrapato Rhipicéphalus sanguíneos é o que mais preocupa, por transmitir através da saliva os agentes da Babesiose e da Erliquiose, enfermidades de sombrio prognóstico.
O protozoário Babesia entra na circulação do animal irrompendo maciçamente os seus glóbulos vermelhos, provocando hemorragias e uma profunda anemia hemolítica, de curso gravíssimo.
A bactéria Ehrlichia, introduzida na corrente sanguínea através da picada do carrapato adentra nos glóbulos brancos, afetando os rins, os pulmões, o fígado, os gânglios e a medula óssea onde provoca uma hipoplasia com inibição da produção das hemácias e grave anemia aplástica.
A precocidade no diagnostico e instituição do tratamento adequado muda sobremaneira o curso da doença. A demora na detecção do problema reduz drasticamente as chances de cura. Um animal pode portar os dois males simultaneamente tornando o prognóstico bastante grave.
Quem tem um animal em casa deve ficar atento quanto à presença de carrapatos no ambiente, e adotar medidas que impeçam a sua proliferação. Uma fêmea pode gerar centenas de dependentes em um breve espaço de tempo, se existir um cão por perto invariavelmente será atacado por um voraz exército de jovens carrapatos ávidos pelo néctar vermelho da vida.
Converse com seu veterinário com relação aos meios e métodos de controlar esses parasitas.

Jornal Cachoeiras – 10/10/2009

Intrigantes criaturas

No decorrer dos séculos a cobra sempre teve má fama. O homem em todos os tempos ouviu lendas e histórias envolvendo seu nome.
No amanhecer da humanidade lá estava ela seduzindo a mãe Eva e mudando radicalmente o curso da história. Representa as noites frias, pegajosas e os ocos úmidos da crosta terrestre.
Impõe à vítima uma morte rápida e dolorosa e ao mesmo tempo mostra o renascimento, a vida e o desconhecido, quando muda de pele.
Nos conhecimentos esotéricos é a energia dormente enroscada em si mesma, representada por uma serpente ígnea – a Kundalini. Deriva do Sânscrito e o seu nome é originário das escrituras do Shivaïsmo.
Em nossa região quase que a totalidade dos acidentes envolvendo serpentes são provocada por jararacas, principalmente entre os meses de setembro a março.
Jararacas, surucucus e cascavéis possuem em cada lado da cabeça uma fosseta loreal, orifício rico em terminações nervosas conectadas ao cérebro, através da qual percebem o tamanho da vítima e a que distância se encontra. As cobras corais não possuem este órgão termorreceptor.
A maioria dos acidentes envolvendo ofídios pode ser evitada usando botas de cano longo, botinas, caneleiras e luvas.
Não desmate e nem faça queimadas, mantenha limpo terrenos e quintais e proteja os gaviões, corujas e muçuranas, seus predadores naturais.
As cobras têm importância no equilíbrio vital, matá-las além de um contra-senso é crime de agressão contra a fauna. Preserve essas intrigantes criaturas e previna-se contra acidentes.

Cachoeiras Jornal – 05/12/2009