quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

É quase Verão

Praias, sorvetes, banhos de rio, loiras geladas e aquele clima quente do verão a flor da pele.
Seria o verão da década, não fossem as balas perdidas e aquela botafoguense convicta, discípula do conde Drácula, que adora sorver com seu canudinho sangue humano, alguns contaminados por partículas virais da dengue.
Não passaria de uma simples picada, se a fêmea do Aedes aegypti não fosse promíscua, adentrando com sua probóscída nervosa, outras peles humanas à procura do néctar que viabilizará seu poder reprodutivo, aí é que o vírus da dengue deita e rola se propagando pelas multidões.
Há mais de duas décadas combatendo a dengue, os programas adotados têm se mostrado inócuos. Sendo a grande totalidade dos focos artificiais, isto é, criados pelo próprio homem, é imprescindível um forte envolvimento popular nas ações de combate, senão morbidades e mortalidades acontecerão.
Cada um tem o dever de ficar vigilante com relação a qualquer condição que propicie a formação de criadouros de mosquitos - que vai desde uma tampinha de garrafa a uma piscina não tratada.
Em tempo, só a fêmea do mosquito é hematófaga. Uma única reprodutora pode originar centenas de novos descendentes. É só ter à sua disposição depósitos de qualquer tamanho de água cristalina, de preferência na sombra.
Pelo andar da carruagem, erradicar o Aedes aegypti é utopia. Só resta minimizar ao máximo sua densidade e isso só se consegue com a sua participação.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A praga rastejante

Com o objetivo de comercializar a carne para o consumo humano, pessoas inescrupulosas trouxeram, do nordeste e leste africano, exemplares do caracol Achatina fulica, popularmente conhecido como caramujo gigante, caramujo africano, acatina e rainha africana.
Além dos prejuízos agrícolas, devorando verduras, legumes, frutas e plantas ornamentais, esses gastrópodes são potenciais transmissores de doenças que acometem o homem.
Na esfera ambiental, por não possuírem predadores, o impacto gerando desequilíbrio na fauna nativa é devastador. É uma terrível ameaça ao meio ambiente e a malacofauna brasileira.
Segundo a União Internacional de Conservação da Natureza a introdução de organismos exóticos é uma das maiores causas de perda da biodiversidade nos ecossistemas nativos, só ficando atrás da destruição direta provocada pelos desmatamentos.
Alguns cuidados devem ser tomados com relação a esses moluscos: Não tocá-los com as mãos desprotegidas. Não consumir hortaliças, frutas e legumes sem antes terem sido mergulhadas por 30 minutos em uma solução contendo uma colher de sopa de água sanitária em 1 litro d’água, lavando-os bem com água potável antes do consumo. Não comer, beber ou fumar após contato com o caracol e, principalmente, conservar limpo o quintal evitando acúmulo de materiais e entulhos.
A contaminação se dá pela ingestão da carne do caracol, de vegetais impregnados pelo seu muco ou através do contato direto pelas mãos desprotegidas.
O combate a esses animais deve sempre ser feito por adultos, evitando a participação de crianças. Da seguinte forma:
Com as mãos protegidas por luvas ou sacos plásticos, colocá-los em um recipiente com água salgada, por três horas. Depois incinerá-los, quebrar suas cascas para evitar a formação de focos de mosquitos e, por último, enterrá-los longe de fontes de água.

Caderno de Entretenimento – Prista – 16/07/2008

O gato doidão

Amados por uns e odiados por outros os gatos são fenomenais. Bastante ágeis, misteriosos, surpreendentes, independentes e muito inteligentes. Dentre os mamíferos é tido como o maior predador pela forma, sagacidade e diversidade de vítimas que abate. O nome gato vem de “quttah”, palavra de origem árabe.
O Miacis é o ancestral dos felinos, ursos, cães e uma das suas ramificações deu origem aos primeiros gatos – o Prociluris – e como conseqüência ao Felis lunensis, pai dos atuais gatos.
Excêntricos, alguns adultos e nunca os filhotes, apreciam o “catnip”, uma erva que possui uma substância oleosa denominada hepetalactone, que lhes proporciona um estado de semiêxtase e euforia. Após mastigar ou se esfregar na Nepeta cataria que é originária do Mediterrâneo, os bichanos ficam em transe por alguns minutos. A gatária ou erva-do-gato como também é conhecida, está para o gato assim como a maconha está para o homem. Sua substancia ativa entra na confecção de repelentes de insetos e em muitos produtos e brinquedos destinados a esses felinos.
Os olhos dos gatos brilham no escuro, isto acontece porque por de traz de sua retina existe uma camada de células especializadas – o tapetum lucidum - que reflete a luz recebida acentuando sua visão noturna.
Um gato nunca ronrona para outro gato, só o faz para o homem. Na maioria das vezes quando está feliz ou relaxado, com o intuito de lhe chamar a atenção. Existem várias teorias para explicar o ronronar: desde falsas cordas vocais, até o aumento de fluxo sanguíneo que provoca um ruído turbulento ressonando no seu diafragma.
Não transmitem asma como muitos pensam. No ato freqüente de lamber deixam na sua pelagem junto a saliva uma proteína que se aspirada desencadeia crises nos portadores de asma. Banhos regulares diminuem a concentração desta substância nos pêlos, tornando-os menos incômodos aos alérgicos. Segundo alguns pesquisadores, crianças que convivem com os gatos desde a tenra idade adquirem certa imunidade a este alérgeno.

Caderno de Entretenimento – Prista – 01/02/2009

No resguardo da saúde pública

As atividades de controle de zoonoses fauna sinantrópica e vigilância sanitária são a linha de frente na promoção e no resguardo da saúde pública.
Grande parte dos atendimentos, principalmente de crianças, nas unidades de saúde é oriunda de deficiência e precariedade nas atenções ao saneamento básico principalmente na água destinada ao consumo, que obrigatoriamente tem de ser submetida a parâmetros físicos, químicos e biológicos antes de sua utilização.
Todos em algum momento devem ter passados por situações em que as regras de higiene inexistem ou foram quebradas em se tratando de comercialização de gêneros alimentícios, desde sua produção, comercialização, manipulação inadequada até o seu consumo final
Ratos e baratas, seres emergentes da cloaca urbana perambulam pela noite em busca de provimentos facilmente encontrados nos fétidos lixos que compõe nosso cenário urbano, disseminando perigosos agentes mórbidos como a temida leptospirose , peste negra, antavirose,além d outros microorganismos transmissores de enfermidades..
Estes habitantes dos avernos da imundície impõem sua dantesca presença ao cenário urbano e deixa em seus rastros tenebrosos agentes patogênicos contaminando nossos alimentos.
Poucas cidades põem em prática estas atividades tão importantes para uma boa saúde coletiva. Por ser fiscalizadora e punitiva, não caem bem nas intenções da maioria dos políticos, tanto é que pouco se fala durante as campanhas eleitorais.
É fundamental a presença e a implementação dessas ações básicas no resguardo da saúde pública. O executivo e o legislativo têm de romper essa inércia, até porque assegurar uma saúde digna aos cidadãos é um dever do estado e um direito inconstitucional de todos.
Mesmo que as atividades de fiscalização e vigilância sejam ignoradas, pelo menos a educação e conscientização sanitária têm de ser exercidas. Donos de mercados, bares, trailers, pastelarias, fábricas de doce, lanchonetes e restaurantes tem de estar conscientes que além se ser uma obrigação zelar pela saúde pública, o respeito aos padrões de higiene verterão em clientela confiante, consistente e mais satisfeita.

Jornal A Voz da Cidade - 07/07/2007

A gripe assassina

O vírus da gripe existe há mais de 80 milhões de anos. Dos três tipos A, B e C, o “influenza A” foi o responsável em 1918 pela Gripe espanhola (H1N1), em 1957 pela Gripe asiática (H2N2) e em 1968 pela Gripe de Hong Kong (H3N2). A espanhola foi a mais devastadora do século matando cerca de 40 milhões de pessoas em todo mundo, incluindo o então presidente da república Rodrigues Alves.
As pandemias são epidemias que percorrem continentes. A gripe espanhola levou quatro meses para circundar o planeta e estima-se que o vírus H5N1, responsável pela recente gripe aviária ou gripe dos frangos, levaria somente quatro dias para realizar tal feito, o que seria uma calamidade tão ou mais devastadora que a da peste bubônica na Idade Média. O H5N1 poderá adquirir tal capacidade se seu material genético misturar-se com o vírus da gripe comum, isto é, se uma pessoa contrair as duas cepas virais ao mesmo tempo, resultando num vírus híbrido com capacidade de transmissão direta entre as pessoas.
Para que aconteça uma pandemia é necessário o aparecimento de um agente novo (mutante) para o qual a população não possua anticorpos e que seja transmitido entre indivíduos.
A cada quatro décadas ocorre uma nova versão do influenza com linhagens mais letais. De acordo com estes cálculos estamos à beira de mais uma epidemia transcontinental já que a última aconteceu em 1968.
A gripe dos frangos é uma “epidemia veterinária”, a transmissão se dá entre as aves. Para se ter uma idéia, uma pequena pitada de fezes de uma ave doente pode infectar um milhão de outras.
A contaminação humana é acidental, acontece pelo contato direto com aves contaminadas e seus subprodutos, secreções e excreções. Porém, a partir do momento que esta transmissão ocorra entre humanos, o que não pode ser descartado, o risco de uma grande pandemia, com mortandade em massa no mundo seria uma realidade. Acredita-se que ¼ da humanidade seria infectada e 30 % morreriam em curto espaço de tempo.
Recentemente, na terra de Bush, material genético removido de tecidos de vítimas da Gripe de 1918 foram enxertados em células, recriando em laboratório, um vírus híbrido mais letal que o N1H1. Imagine esse processo caindo em mãos erradas! Sem dúvidas seria o sonho de qualquer organização terrorista.
O novo Regulamento de Saúde Internacional adotado pela OMS em Genebra, em maio deste ano trouxe mais segurança frente a estas catástrofes microbiológicas. Mas uma coisa é certa, nesta grande guerra os microorganismos estarão sempre à nossa frente.

Jornal A Voz da Cidade – 12/11/2005

Homem desequilibrado, animal neurótico

Na matilha, o animal dominante ou alfa, tem prioridade na alimentação, acasalamento e outras regalias; essa posição é mantida até que sua dominância seja ameaçada por outro animal de posição hierárquica subseqüente ou beta, nesse confronto a agressividade é parte da contenda. Na ótica canina, os humanos - por possuírem uma estrutura hierárquica similar - são tidos como concorrentes na disputa por posição. Já presenciei situações em que o cão é o dominante na família, não se submetendo aos outros indivíduos (inclusive humanos), é o caso de cães que mordem ou não respeitam seus donos. Também não é incomum, animais que obedecem a uma só pessoa na família, sendo intransigente e até agressivo com as demais. Essa “agressividade natural” só é observada quando sua posição ou seu território é ameaçado.
Os cães absorvem consideravelmente as neuroses humanas, refletindo-as sob forma de depressão, insegurança, tristeza, fobias e agressividade na esfera psíquica e doenças de pele, automutilações, distúrbios no apetite e outras patologias na esfera física.
Conseguem entender o que sentimos, não através da nossa vocalização, mas pelas emoções que emanamos, seja insegurança, raiva, medo, alegria, afeto, ódio, desamor e raramente julgam erradamente nosso caráter.
A “agressividade patológica e descontrolada” é sintoma de uma relação traumatizante com humanos e cuja gênese são traumas na esfera física e psíquica ocorridas principalmente na infância e adolescência, como fome, espancamento, falta de amor clausura inconcebível em canis ou confinamento dantesco em correntes
A relação com os animais não deve ser insegura, possessiva e nem neurótica e sim baseada na sensibilidade, no equilíbrio, no respeito, na racionalidade e no amor. É mais do que uma obrigação do homem proporcionar vida digna aos animais, já que, é ele quem estabelece o início da relação.
Amem e respeitem seus animais e eles serão indivíduos companheiros, tranqüilos, seguros, confiáveis e sem neuroses.

Jornal A Voz da Cidade – 07/01/2006

Ofidismo animal

Comuns em cães e raros em gatos os acidentes envolvendo ofídios venenosos requerem atendimento de emergência face as graves provocadas pela peçonha ao organismo do animal e se possível identificação da espécie agressora visando à terapia específica.
Em nossa região quase a totalidade dos acidentes é provocada por cobras do gênero Bothrops (jararaca e jararacuçu). seguidos do Lachesis (surucucu).
Na maioria das vezes os animais são picados na região da face e pescoço, partes do corpo que primeiro de aproximam da cobra. A severidade do envenenamento depende da quantidade de peçonha inoculada. Leve, com alterações no local da picada e grave, com alterações sistêmicas.
Acidentes com jararacas são bastante doloridos, provocam edema (inchado), sangramento e marcas arroxeadas no local. Na ocorrência de maior gravidade aparece sangue na urina, necrose tecidual, insuficiência renal, gangrena e choque podendo levar a morte. No caso da surucucu – gênero Lachesis -ocorre significativo edema local, sangramentos, vômitos e diarréia. As corais verdadeiras – gênero Micrurus – são responsáveis por menos de 0,5 % dos acidentes, tendo pouca importância médica; seu veneno provoca sintomas neurológicos e insuficiência respiratória aguda com dificuldades de respirar, abrir os olhos e engolir.
Se um animal for atacado por uma serpente, medidas preliminares devem ser adotadas com o objetivo de evitar o agravamento do quadro clínico. Mantenha–o calmo, imóvel, quando possível utilize compressa gelada no local para minimizar o edema e procure o médico veterinário o mais breve possível para a administração do antiveneno.
Não improvise torniquete porque a toxina retida e concentrada provoca necrose e gangrena e não corte ou dilacere o local, para não acentuar o sangramento. A utilização de querosene, pó de café, terra e outras substâncias são contra indicada, pois, além de irritarem, infeccionam o local da picada.
Estes répteis têm grande importância no equilíbrio vital do meio ambiente, seu extermínio propicia a proliferação de roedores e instabilidade na comunidade biológica do ecossistema.
Não matar os gaviões, corujas e muçuranas, seus predadores naturais, não desmatar, evitar queimadas, manter os quintais limpos e não acumular madeiras, tijolos, telhas e pedras nas cercanias das residências são necessários, na prevenção do ofidismo animal.

Jornal A Voz da Cidade – 11/02/2006