sábado, 23 de janeiro de 2010

Percepção animal

Zoopsiquismo: percepção animal


Os animais possuem percepção extra-sensorial, o que na maioria humana encontra-se enfrascada, e segundo os esotéricos na dependência de conhecimentos e técnicas para o seu despertar. Conseguem ler nossos pensamentos, ou melhor, sentem o contexto emocional oriundo desses pensamentos, seja de falsidade, de ódio, de afeto, de tristeza, de alegria, de amor, etc.
Cães e gatos exercem sua linguagem através de poderes sensitivos e perceptivos apuradíssimos. De nada adianta agrados e palavras suaves com o intuito de persuadi-los, eles conseguem ver o que há por de traz da máscara humana. Devemos estar atentos a qualquer pessoa que seja encarada com desconfiança por um animal, dificilmente estarão equivocados em seu julgamento.
Nos felinos essas percepções são bastante pronunciadas, não é incomum observarmos estes animais arrepiados olhando para algo aparentemente invisível.
Apesar de raro, há evidencias de “suicídio” entre os animais. Não está bem claro se neles existe o “desejo” desta depressão reativa. Mesmo não tendo uma idéia exata da morte, talvez consigam através de um estado transcendental vislumbrar o “deixar de viver”.
Muitos conhecimentos relacionados à “psique animal” foram apagados pela última Inquisição no papado de Gregório IX, com a aniquilação dos que detinham importantes conhecimentos, como os feiticeiros, bruxas e videntes. Na Grécia Antiga, importantes filósofos viviam à margem da sociedade e muito do que sabiam a respeito do zoopsiquismo, não chegou até nós. Só agora a poeira que encobre as filosofias pré-cristãs está sendo espanada e os conhecimentos dos “hereges e profanadores” estão voltando à luz do conhecimento.

(Cachoeiras Jornal 23 de janeiro de 2010)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Misteriosas luzes

(Publicado no Jornal Cachoeiras em 16/01/1910)

Luzes misteriosas apareceram principalmente no passado, em várias partes da cidade e muitos são os relatos a seu respeito, uns fantasiosos e outros nem tanto. O curioso é que em alguns casos as colocações são feitas por pessoas isentas de qualquer suspeita.
Alguém me disse em certa ocasião que presenciou essas aparições reluzentes no morro do Tuim, e não era um nem dois, mas diversos pontos luminosos de vários tamanhos e cores que se confluíam e se afastavam. De todos os pronunciamentos, alguns apresentam uma similaridade , como o modo de deslocamento e a variação brusca da intensidade de luz. Já ouvi relatos do advento desses fenômenos na Boa Vista, Boca do Mato e no Parque Santa Luzia.
O que me levou a escrever sobre o assunto, foi que também presenciei por duas ocasiões no Ganguri, quando infante e já adulto, essas estranhas luzes, e quem não me deixa mentir é o meu cunhado Marcelo Poubel, presente naquela ocasião. Por algum tempo as bolas de luz ficaram visíveis numa sinistra dança sincrônica até desaparecerem num piscar de olhos. Naquele momento pensei em se tratar de caçadores ou pessoas indo para algum lugar carregando tochas incandescentes, mas esta hipótese não mantinha coerência com a velocidade de deslocamento; seria impossível alguém se mover no meio da mata com tamanha rapidez.
Gases liberados por bactérias, plasmas, miragens, minerais fosforescentes, manifestações ufológicas, acontecimentos sobrenaturais são as inúmeras cogitações na tentativa de explicar o inexplicável.
Fenômenos parecidos têm sido relatados em vários lugares em todo mundo. Um exemplo são as luzes de Brown Montains, na Carolina do Sul que tem intrigado cientistas.
Aristóteles, em Metaurus descreve um fenômeno parecido com o Fogo de Santelmo, bastante relatado na literatura portuguesa, que deixou apreensivo muitos navegantes. Também são retratados no romance de Andy Anderson, kill one, kill two e base para o seriado de televisão Arquivo X.
Seja lá o que for, estas luzes ainda fazem parte do desconhecido e pelo jeito ficarão assim por muito tempo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

É quase Verão

Praias, sorvetes, banhos de rio, loiras geladas e aquele clima quente do verão a flor da pele.
Seria o verão da década, não fossem as balas perdidas e aquela botafoguense convicta, discípula do conde Drácula, que adora sorver com seu canudinho sangue humano, alguns contaminados por partículas virais da dengue.
Não passaria de uma simples picada, se a fêmea do Aedes aegypti não fosse promíscua, adentrando com sua probóscída nervosa, outras peles humanas à procura do néctar que viabilizará seu poder reprodutivo, aí é que o vírus da dengue deita e rola se propagando pelas multidões.
Há mais de duas décadas combatendo a dengue, os programas adotados têm se mostrado inócuos. Sendo a grande totalidade dos focos artificiais, isto é, criados pelo próprio homem, é imprescindível um forte envolvimento popular nas ações de combate, senão morbidades e mortalidades acontecerão.
Cada um tem o dever de ficar vigilante com relação a qualquer condição que propicie a formação de criadouros de mosquitos - que vai desde uma tampinha de garrafa a uma piscina não tratada.
Em tempo, só a fêmea do mosquito é hematófaga. Uma única reprodutora pode originar centenas de novos descendentes. É só ter à sua disposição depósitos de qualquer tamanho de água cristalina, de preferência na sombra.
Pelo andar da carruagem, erradicar o Aedes aegypti é utopia. Só resta minimizar ao máximo sua densidade e isso só se consegue com a sua participação.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A praga rastejante

Com o objetivo de comercializar a carne para o consumo humano, pessoas inescrupulosas trouxeram, do nordeste e leste africano, exemplares do caracol Achatina fulica, popularmente conhecido como caramujo gigante, caramujo africano, acatina e rainha africana.
Além dos prejuízos agrícolas, devorando verduras, legumes, frutas e plantas ornamentais, esses gastrópodes são potenciais transmissores de doenças que acometem o homem.
Na esfera ambiental, por não possuírem predadores, o impacto gerando desequilíbrio na fauna nativa é devastador. É uma terrível ameaça ao meio ambiente e a malacofauna brasileira.
Segundo a União Internacional de Conservação da Natureza a introdução de organismos exóticos é uma das maiores causas de perda da biodiversidade nos ecossistemas nativos, só ficando atrás da destruição direta provocada pelos desmatamentos.
Alguns cuidados devem ser tomados com relação a esses moluscos: Não tocá-los com as mãos desprotegidas. Não consumir hortaliças, frutas e legumes sem antes terem sido mergulhadas por 30 minutos em uma solução contendo uma colher de sopa de água sanitária em 1 litro d’água, lavando-os bem com água potável antes do consumo. Não comer, beber ou fumar após contato com o caracol e, principalmente, conservar limpo o quintal evitando acúmulo de materiais e entulhos.
A contaminação se dá pela ingestão da carne do caracol, de vegetais impregnados pelo seu muco ou através do contato direto pelas mãos desprotegidas.
O combate a esses animais deve sempre ser feito por adultos, evitando a participação de crianças. Da seguinte forma:
Com as mãos protegidas por luvas ou sacos plásticos, colocá-los em um recipiente com água salgada, por três horas. Depois incinerá-los, quebrar suas cascas para evitar a formação de focos de mosquitos e, por último, enterrá-los longe de fontes de água.

Caderno de Entretenimento – Prista – 16/07/2008

O gato doidão

Amados por uns e odiados por outros os gatos são fenomenais. Bastante ágeis, misteriosos, surpreendentes, independentes e muito inteligentes. Dentre os mamíferos é tido como o maior predador pela forma, sagacidade e diversidade de vítimas que abate. O nome gato vem de “quttah”, palavra de origem árabe.
O Miacis é o ancestral dos felinos, ursos, cães e uma das suas ramificações deu origem aos primeiros gatos – o Prociluris – e como conseqüência ao Felis lunensis, pai dos atuais gatos.
Excêntricos, alguns adultos e nunca os filhotes, apreciam o “catnip”, uma erva que possui uma substância oleosa denominada hepetalactone, que lhes proporciona um estado de semiêxtase e euforia. Após mastigar ou se esfregar na Nepeta cataria que é originária do Mediterrâneo, os bichanos ficam em transe por alguns minutos. A gatária ou erva-do-gato como também é conhecida, está para o gato assim como a maconha está para o homem. Sua substancia ativa entra na confecção de repelentes de insetos e em muitos produtos e brinquedos destinados a esses felinos.
Os olhos dos gatos brilham no escuro, isto acontece porque por de traz de sua retina existe uma camada de células especializadas – o tapetum lucidum - que reflete a luz recebida acentuando sua visão noturna.
Um gato nunca ronrona para outro gato, só o faz para o homem. Na maioria das vezes quando está feliz ou relaxado, com o intuito de lhe chamar a atenção. Existem várias teorias para explicar o ronronar: desde falsas cordas vocais, até o aumento de fluxo sanguíneo que provoca um ruído turbulento ressonando no seu diafragma.
Não transmitem asma como muitos pensam. No ato freqüente de lamber deixam na sua pelagem junto a saliva uma proteína que se aspirada desencadeia crises nos portadores de asma. Banhos regulares diminuem a concentração desta substância nos pêlos, tornando-os menos incômodos aos alérgicos. Segundo alguns pesquisadores, crianças que convivem com os gatos desde a tenra idade adquirem certa imunidade a este alérgeno.

Caderno de Entretenimento – Prista – 01/02/2009

No resguardo da saúde pública

As atividades de controle de zoonoses fauna sinantrópica e vigilância sanitária são a linha de frente na promoção e no resguardo da saúde pública.
Grande parte dos atendimentos, principalmente de crianças, nas unidades de saúde é oriunda de deficiência e precariedade nas atenções ao saneamento básico principalmente na água destinada ao consumo, que obrigatoriamente tem de ser submetida a parâmetros físicos, químicos e biológicos antes de sua utilização.
Todos em algum momento devem ter passados por situações em que as regras de higiene inexistem ou foram quebradas em se tratando de comercialização de gêneros alimentícios, desde sua produção, comercialização, manipulação inadequada até o seu consumo final
Ratos e baratas, seres emergentes da cloaca urbana perambulam pela noite em busca de provimentos facilmente encontrados nos fétidos lixos que compõe nosso cenário urbano, disseminando perigosos agentes mórbidos como a temida leptospirose , peste negra, antavirose,além d outros microorganismos transmissores de enfermidades..
Estes habitantes dos avernos da imundície impõem sua dantesca presença ao cenário urbano e deixa em seus rastros tenebrosos agentes patogênicos contaminando nossos alimentos.
Poucas cidades põem em prática estas atividades tão importantes para uma boa saúde coletiva. Por ser fiscalizadora e punitiva, não caem bem nas intenções da maioria dos políticos, tanto é que pouco se fala durante as campanhas eleitorais.
É fundamental a presença e a implementação dessas ações básicas no resguardo da saúde pública. O executivo e o legislativo têm de romper essa inércia, até porque assegurar uma saúde digna aos cidadãos é um dever do estado e um direito inconstitucional de todos.
Mesmo que as atividades de fiscalização e vigilância sejam ignoradas, pelo menos a educação e conscientização sanitária têm de ser exercidas. Donos de mercados, bares, trailers, pastelarias, fábricas de doce, lanchonetes e restaurantes tem de estar conscientes que além se ser uma obrigação zelar pela saúde pública, o respeito aos padrões de higiene verterão em clientela confiante, consistente e mais satisfeita.

Jornal A Voz da Cidade - 07/07/2007

A gripe assassina

O vírus da gripe existe há mais de 80 milhões de anos. Dos três tipos A, B e C, o “influenza A” foi o responsável em 1918 pela Gripe espanhola (H1N1), em 1957 pela Gripe asiática (H2N2) e em 1968 pela Gripe de Hong Kong (H3N2). A espanhola foi a mais devastadora do século matando cerca de 40 milhões de pessoas em todo mundo, incluindo o então presidente da república Rodrigues Alves.
As pandemias são epidemias que percorrem continentes. A gripe espanhola levou quatro meses para circundar o planeta e estima-se que o vírus H5N1, responsável pela recente gripe aviária ou gripe dos frangos, levaria somente quatro dias para realizar tal feito, o que seria uma calamidade tão ou mais devastadora que a da peste bubônica na Idade Média. O H5N1 poderá adquirir tal capacidade se seu material genético misturar-se com o vírus da gripe comum, isto é, se uma pessoa contrair as duas cepas virais ao mesmo tempo, resultando num vírus híbrido com capacidade de transmissão direta entre as pessoas.
Para que aconteça uma pandemia é necessário o aparecimento de um agente novo (mutante) para o qual a população não possua anticorpos e que seja transmitido entre indivíduos.
A cada quatro décadas ocorre uma nova versão do influenza com linhagens mais letais. De acordo com estes cálculos estamos à beira de mais uma epidemia transcontinental já que a última aconteceu em 1968.
A gripe dos frangos é uma “epidemia veterinária”, a transmissão se dá entre as aves. Para se ter uma idéia, uma pequena pitada de fezes de uma ave doente pode infectar um milhão de outras.
A contaminação humana é acidental, acontece pelo contato direto com aves contaminadas e seus subprodutos, secreções e excreções. Porém, a partir do momento que esta transmissão ocorra entre humanos, o que não pode ser descartado, o risco de uma grande pandemia, com mortandade em massa no mundo seria uma realidade. Acredita-se que ¼ da humanidade seria infectada e 30 % morreriam em curto espaço de tempo.
Recentemente, na terra de Bush, material genético removido de tecidos de vítimas da Gripe de 1918 foram enxertados em células, recriando em laboratório, um vírus híbrido mais letal que o N1H1. Imagine esse processo caindo em mãos erradas! Sem dúvidas seria o sonho de qualquer organização terrorista.
O novo Regulamento de Saúde Internacional adotado pela OMS em Genebra, em maio deste ano trouxe mais segurança frente a estas catástrofes microbiológicas. Mas uma coisa é certa, nesta grande guerra os microorganismos estarão sempre à nossa frente.

Jornal A Voz da Cidade – 12/11/2005