sexta-feira, 19 de março de 2010

A crônica do jacaré

(Jornal Cachoeiras em 20/03/2010)

Paralisado no acostamento da Niterói - Friburgo nas imediações da Castália por problemas de locomoção, foi visto agonizando o sofrido “jacaré”. Vomitando óleo queimado, parecia padecer de alguma outra patologia de maior gravidade.
Certo dia, extremamente exausto e com sérios distúrbios mecânicos em sua traseira esquerda, rumou para a aprazível Boca do Mato, só não conseguiu chegar no ponto final porque entalou de lado na cancela “daquela” praça de pedágio. Só lhe restou uma humilhante marcha ré de volta à garagem, e aos seus ilustres passageiros prosseguirem na viação canela, até porque naquele horário, por volta das sete e meia da noite, as “lagartixas” já estavam dormindo.
Esses aligátores já passaram da terceira idade, suas artroses férricas e engrenagens enferrujadas impedem-lhes de cumprir, e com razão, seu horário de trabalho, deixando a pé e na mão os que deles dependem.
Há quem sinta falta da saudosa “perua”, que foi a antecessora do “jacaré”; há os que torcem pela substituição imediata dos atuais espécimes, por outros mais novos, seguros, e cumpridores de seus horários; e outros mais cruéis, acham que o melhor para os crocodilianos é um merecido descanso na “cidade dos pneus juntos”, isto é, num tranqüilo e enferrujado ferro velho.
É preocupante imaginar o velho “Jaca” desgovernado despencando sem breque por entre as curvas da zona sul do Paraíso das Águas Cristalinas.
Cada vez mais intenso é o tráfego de veículos pesados no seu itinerário, pondo em risco a sua integridade e as vidas humanas que dele depende.

sábado, 13 de março de 2010

Cães que matam

(Jornal Cachoeiras em 13/03/2010)

O coliseu foi palco de sangrentos combates quando os romanos levaram para o Império o pesado Mastiff inglês no primeiro século cristão para serem utilizados em confrontamentos com leões, texugos, ursos e macacos. Descendente do Old English Mastiff, o Bulldog inglês já mostrava semelhança com o atual Pit Bull.
Em Dog pits, famosa arena de cães em Londres do século XIX, o Old Bulldog era utilizado em sangrentos combates com outros cães e touros, para o deleite dos sádicos malucos daquela época.
Muitos sucumbiam pisoteados ou com as vísceras expostas pelas dilacerantes chifradas. Os touros, muito lentos ou cansados eram esbraseados com tochas, feridos com lanças ou tinham suas caudas quebradas para que continuassem no jogo. Vários cães eram utilizados nesses confrontos, que às vezes duravam horas.
Apesar de agressivos com outros animais os bulldogs eram muito lentos. Com intuito de eliminar esta característica indesejável, os criadores da época cruzaram-no com os destemidos Terriers, pela sua agilidade e determinação, originando o Pit terrier, Half and half, American Staffordshire e o Pit Bull Terrier.
Os ancestrais imediatos do Pit Bull são originários da Inglaterra e Irlanda do século XIX. Os americanos após muitos cruzamentos conseguiram um animal mais pesado, o American Pit Bull Terrier.
O Pit Bull é um animal que precisa de muito exercício físico, racionalidade e adestramento precoce, para evitar desvios de comportamento. Se tratado com afeto e humanidade, apesar de seu passado, é um animal leal, seguro, dócil e excelente cão de guarda e companhia.
Muitos confundem o Pit Bull com o Bull Terrier, o Bulldog Americano e o American Staffordshire, provavelmente devido à ancestralidade comum a essas raças.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O velho candeeiro

(Jornal Cachoeiras em 20/02/2010)

Se não bastasse a crônica escuridão política e moral na qual estamos submersos, voltamos ao velho tempo do candeeiro, fruto do descaso e da indiferença da concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica, que todo mês dá um iluminado choque em nossos bolsos nos vendendo caro este serviço tão essencial.
O apagão, que acontece quase que diariamente, afeta a todos; deixa revoltadas as noveleiras de carteirinha, os fanáticos torcedores de futebol, os globalizados internautas, além dos que tem seus aparelhos eletrodomésticos danificados. Também deixam em pânico os escotofóbicos, nas trevas o comércio com o escurecimento dos seus lucros e todos os que amplamente dependem dos volts e das amperagens geradas, principalmente quando o sol de põe.
“Iluminados” ficam os seres da noite, os sorrateiros noturnos, os gatunos de ocasião, os eletrofóbicos, além dos que se deleitam com a energia transcendental se entregando poeticamente às luzes dos astros e estrelas, sem falar dos caçadores de óvnis, dos pesquisadores de pirilampos, dos seres das trevas e de outras coisas mais...
Com toda energia popular neles concentradas, nossos representantes eleitos pelos volts, ou melhor, pelos votos, deveriam emergir da escuridão e com as suas espadas ígneas iluminar essa penumbra para que os candeeiros permaneçam somente como ornamentos de nossas salas de estar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Osso com angu

(Publicado no Jornal Cachoeiras em 13/02/2010)

Antes do advento da ração o bofe com fubá era a alimentação da grande maioria de cães e gatos. Nos finais de semana às vezes rolava sobra de churrasco e um osso de pernil sem o pernil, naturalmente.
O pulmão ou bofe é um tecido esponjoso, bem pobre em proteínas. No angu mais parece pedaços de esponja boiando numa amarela e pálida papa onde só rola carboidratos.
Essa de que cachorro adora osso é historia pra boi dormir, se lhe oferecêssemos a carne e ficássemos com o osso, ele adoraria a idéia.
Mas nem todos caíam no angu, só a maioria excluída; os mais sortudos degustavam carne magra, galinha sem aquele perigoso osso farpado, frutas não cítricas, arroz, pão integral dormido, fígado temperado e macarrão com semolina, e nos finais de semana picanha na chapa com arroz.
Atualmente existe uma gama de alimentos industrializados, ricos em proteínas de alta qualidade, vitaminas, aminoácidos, minerais quelados e fatores antioxidantes. E tantos outros com fibras indigestas, quase nenhuma vitamina e proteína de origem duvidosa, sem falar nos conservantes, pigmentantes, aglutinantes, acidulantes e estabilizantes.
Uma boa nutrição é base para uma vida saudável e a escolha de uma alimentação balanceada e rica em nutrientes é vital para o desenvolvimento físico e mental do seu animal.
Processos alérgicos, distúrbios digestivos e outras doenças vinculadas à alimentação podem ter relação com a má qualidade de algumas rações. Há relatos de entrarem na sua composição bico, unha, cabeça, pescoço e patas de galinha, ossos, unhas, fetos abortados, cabelos e outras proteínas de baixa qualidade. Sem contar com o milho, a soja e o trigo, fontes de proteínas indigestíveis para os cães e gatos e causa de problemas renais.
A propósito tenha um bom carnaval e atenção com o que come na rua. Peixe morre é pela boca.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O cão quase perfeito

(Publicado no Jornal Cachoeiras em 06/02/2010)

A fama de cão nazista fez com que perdesse a identidade e fosse rebatizado com o nome “pastor alsaciano”. Só em 1930 o Kennel Club permitiu novamente o nome pastor alemão. A animosidade no pós-guerra fez com que o pastor fosse evitado pelos países aliados, quando França e Inglaterra fecharam-lhe o acesso às suas fronteiras.
Na primeira grande guerra foi “cão alarme” e mensageiro, na segunda seu trabalho foi bem mais aturado, explodir minas e atacar o inimigo no “front”.
Os atuais pastores alemães descendem da intersecção de cães de pastoreio das Saxônias, da Germânia Meridional e de outras províncias. Por milhares de anos os alemães aprimoraram seus cães e, de prole em prole, chegaram ao primeiro da raça apresentado em 1882 por Max Von Stephanitz numa feira de eventos em Hannover.
É tido como o melhor cão adestrável e segundo “A inteligência dos Cães” de Stanley, o 3º mais atilado das quase oitenta raças estudadas.
Por sua bravura, lealdade e caráter incorruptível, se tornou o mais popular e admirado cão em todo mundo.
Congrega várias aptidões além do pastoreio: busca e salvamento, guarda companhia, guia de cego, guerra, polícia, além de um excelente farejador graças ao olfato extremamente aguçado.
Cinza, preto, amarelo e manto negro (capa preta), são as cores mais encontradas; o branco não é permitido pelos padrões da raça.
Dentre os pastores alemães famosos destacam-se Rin-tin-tin, companheiro fiel do Cabo Rusty; Lobo, do Vigilante Rodoviário; Jerry Lee do filme K-9; a inseparável Blondi que Hitler envenenou antes de se matar e Brenda Von Kinder do dedicado Boné.
As melhores características e aptidões da espécie canina estão concentradas neste versátil animal.

www.bichopuy.blogspot.com ronaldorvt@yahoo.com.br

sábado, 23 de janeiro de 2010

Percepção animal

Zoopsiquismo: percepção animal


Os animais possuem percepção extra-sensorial, o que na maioria humana encontra-se enfrascada, e segundo os esotéricos na dependência de conhecimentos e técnicas para o seu despertar. Conseguem ler nossos pensamentos, ou melhor, sentem o contexto emocional oriundo desses pensamentos, seja de falsidade, de ódio, de afeto, de tristeza, de alegria, de amor, etc.
Cães e gatos exercem sua linguagem através de poderes sensitivos e perceptivos apuradíssimos. De nada adianta agrados e palavras suaves com o intuito de persuadi-los, eles conseguem ver o que há por de traz da máscara humana. Devemos estar atentos a qualquer pessoa que seja encarada com desconfiança por um animal, dificilmente estarão equivocados em seu julgamento.
Nos felinos essas percepções são bastante pronunciadas, não é incomum observarmos estes animais arrepiados olhando para algo aparentemente invisível.
Apesar de raro, há evidencias de “suicídio” entre os animais. Não está bem claro se neles existe o “desejo” desta depressão reativa. Mesmo não tendo uma idéia exata da morte, talvez consigam através de um estado transcendental vislumbrar o “deixar de viver”.
Muitos conhecimentos relacionados à “psique animal” foram apagados pela última Inquisição no papado de Gregório IX, com a aniquilação dos que detinham importantes conhecimentos, como os feiticeiros, bruxas e videntes. Na Grécia Antiga, importantes filósofos viviam à margem da sociedade e muito do que sabiam a respeito do zoopsiquismo, não chegou até nós. Só agora a poeira que encobre as filosofias pré-cristãs está sendo espanada e os conhecimentos dos “hereges e profanadores” estão voltando à luz do conhecimento.

(Cachoeiras Jornal 23 de janeiro de 2010)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Misteriosas luzes

(Publicado no Jornal Cachoeiras em 16/01/1910)

Luzes misteriosas apareceram principalmente no passado, em várias partes da cidade e muitos são os relatos a seu respeito, uns fantasiosos e outros nem tanto. O curioso é que em alguns casos as colocações são feitas por pessoas isentas de qualquer suspeita.
Alguém me disse em certa ocasião que presenciou essas aparições reluzentes no morro do Tuim, e não era um nem dois, mas diversos pontos luminosos de vários tamanhos e cores que se confluíam e se afastavam. De todos os pronunciamentos, alguns apresentam uma similaridade , como o modo de deslocamento e a variação brusca da intensidade de luz. Já ouvi relatos do advento desses fenômenos na Boa Vista, Boca do Mato e no Parque Santa Luzia.
O que me levou a escrever sobre o assunto, foi que também presenciei por duas ocasiões no Ganguri, quando infante e já adulto, essas estranhas luzes, e quem não me deixa mentir é o meu cunhado Marcelo Poubel, presente naquela ocasião. Por algum tempo as bolas de luz ficaram visíveis numa sinistra dança sincrônica até desaparecerem num piscar de olhos. Naquele momento pensei em se tratar de caçadores ou pessoas indo para algum lugar carregando tochas incandescentes, mas esta hipótese não mantinha coerência com a velocidade de deslocamento; seria impossível alguém se mover no meio da mata com tamanha rapidez.
Gases liberados por bactérias, plasmas, miragens, minerais fosforescentes, manifestações ufológicas, acontecimentos sobrenaturais são as inúmeras cogitações na tentativa de explicar o inexplicável.
Fenômenos parecidos têm sido relatados em vários lugares em todo mundo. Um exemplo são as luzes de Brown Montains, na Carolina do Sul que tem intrigado cientistas.
Aristóteles, em Metaurus descreve um fenômeno parecido com o Fogo de Santelmo, bastante relatado na literatura portuguesa, que deixou apreensivo muitos navegantes. Também são retratados no romance de Andy Anderson, kill one, kill two e base para o seriado de televisão Arquivo X.
Seja lá o que for, estas luzes ainda fazem parte do desconhecido e pelo jeito ficarão assim por muito tempo