(Jornal Cachoeiras em 29/05/2010)
Existem duas classes de seres animados, o animal com as mais variadas espécies e a humana da qual apenas uma espécie sobreviveu.
Os antigos filósofos gregos notaram nos animais reações psíquicas parecidas com as do ser humano. Por causa dessas “heresias” muitos desses pensadores da época foram apedrejados e assados na fogueira inquisitória, como profanadores e deturpadores da concepção divina.
Os animais tem um papel tão importante na coletividade humana que nossa existência sem eles seria inumana. Até mesmo nas crenças e religiões contemporâneas o animal é parte intrínseca.
Algumas mensagens espirituais são simbolizadas no Cristianismo através das pombas, carneiros e peixes. Os próprios demônios bíblicos têm patas, chifres e caudas e os Anjos celestes também não deixam de possuir uma característica animal, as poderosas asas que lhes permitem volitar como os pássaros.
Anjos e demônios encerram uma coisa em comum, como os animais não precisam de vestidura, com exceção dos Querubins e Serafins que pela proximidade com os humanos usam túnicas para se cobrir.
Gatos, serpentes e pássaros eram deusificados no antigo Egito. Em vários países da Ásia e África nos deparamos com o totemismo - expressão mística da origem e do fim do homem no corpo animal - e os Hindus reverenciam a vaca que comemos enchurrascada como responsável pela vida humana na Terra.
Só recentemente os mantos que cobrem as filosofias pré-cristãs estão sendo retirados e a preocupação dos antigos hereges e profanadores se fazem novamente presentes.
Como disse Lactâncio: “o homem somente difere dos animais porque é o único que possui uma religião”. Essa oportuna afirmação relacionada às duas classes de seres animados não pode ser ignorada.
sábado, 29 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Atrasos da modernidade
(Jornal Cachoeiras em 22/05/2010)
Até bem pouco tempo não se cogitava dispor da versatilidade e rapidez do correio eletrônico.
A comunicação se dava através de perfumadas cartas escritas à mão. Daquele “tempo postal” só restou a saudade e a nostalgia das cartinhas que exalavam uma fragrância qualquer comprada na Rua da Alfândega.
Mesmo com toda evolução tecnológica os serviços postais estagnaram e a demora no atendimento tornou-se um letargo. Essa do Correio ser Banco é meio confuso. Banco é banco, correio é correio, assim como padaria é pra vender pão e farmácia medicamentos.
Se os bancos dão a mínima para seus clientes, porque devo encarar uma fila bancária para enviar uma simples carta? Nada contra o compartilhamento de recursos, mas que haja respeito ao usuário, no caso dos Correios, prioridade de atendimento para os clientes dos Correios.
Para endereçar uma correspondência, constantemente ficamos horas numa exígua sala de espera, remoendo por dentro o tempo ocioso ou compartilhando nosso descontentamento com os já combalidos clientes bancários.
Quisera o problema dos Correios fosse somente este, a entrega domiciliar de correspondência também deixa a desejar. Em muitos lugares estes serviços não existem - inclusive em bairros com ruas pavimentadas e domicílios identificados - e novamente seus moradores têm de enfrentar uma cansativa espera na agência da empresa para, agora, receber uma cartinha.
Pena que um serviço tão cogente tenha ficado à margem da dinâmica evolucionaria do mundo globalizado. São os atrasos da modernidade.
Até bem pouco tempo não se cogitava dispor da versatilidade e rapidez do correio eletrônico.
A comunicação se dava através de perfumadas cartas escritas à mão. Daquele “tempo postal” só restou a saudade e a nostalgia das cartinhas que exalavam uma fragrância qualquer comprada na Rua da Alfândega.
Mesmo com toda evolução tecnológica os serviços postais estagnaram e a demora no atendimento tornou-se um letargo. Essa do Correio ser Banco é meio confuso. Banco é banco, correio é correio, assim como padaria é pra vender pão e farmácia medicamentos.
Se os bancos dão a mínima para seus clientes, porque devo encarar uma fila bancária para enviar uma simples carta? Nada contra o compartilhamento de recursos, mas que haja respeito ao usuário, no caso dos Correios, prioridade de atendimento para os clientes dos Correios.
Para endereçar uma correspondência, constantemente ficamos horas numa exígua sala de espera, remoendo por dentro o tempo ocioso ou compartilhando nosso descontentamento com os já combalidos clientes bancários.
Quisera o problema dos Correios fosse somente este, a entrega domiciliar de correspondência também deixa a desejar. Em muitos lugares estes serviços não existem - inclusive em bairros com ruas pavimentadas e domicílios identificados - e novamente seus moradores têm de enfrentar uma cansativa espera na agência da empresa para, agora, receber uma cartinha.
Pena que um serviço tão cogente tenha ficado à margem da dinâmica evolucionaria do mundo globalizado. São os atrasos da modernidade.
domingo, 16 de maio de 2010
Cruel atrocidade
(Jornal Cachoeiras em 15/05/2010)
Idosos são deixados para fenecer sozinhos em asilos e crianças são abandonadas em beiras de estradas, jogadas nas margens de córregos ou descartadas em lixeiras quase todos os dias, é só ler os noticiários e assistir os telejornais.
Se o religioso animal racional, tido como imagem e semelhança do Criador, é capaz de atentar contra a própria espécie, matando seus genitores e descendentes, o que dizer com relação aos cães, gatos e cavalos que impiedosamente são abandonados à própria sorte, quando não são friamente executados. Geralmente porque ficou velho demais, deixou de ser aquele filhotinho gracioso, come muito, ficou doente, perdeu a utilidade ou simplesmente não era aquele animalzinho que todos esperavam.
Quem possui um animal doméstico tem de estar consciente que como nós, eles sentem fome, tristeza, frio e dor. É muito triste ver um cãozinho amarrado num poste com os olhos cheios de lágrimas e latindo baixinho, esperando que uma alma piedosa passante não o ignore
Abandonar, não alimentar, espancar, envenenar, manter acorrentado, mutilar e ferir os animais é considerado maus tratos e ficam os autores sujeitos a 3 meses a um ano de detenção, aumentada de um sexto a um terço caso o animal venha a morrer, conforme o artigo 32 da Lei Federal 95.605/98.
Todo animal tem direito à vida conforme a sua longevidade natural, abandoná-lo além de cruel atrocidade é um ato desumano e um atentado contra a natureza.
Idosos são deixados para fenecer sozinhos em asilos e crianças são abandonadas em beiras de estradas, jogadas nas margens de córregos ou descartadas em lixeiras quase todos os dias, é só ler os noticiários e assistir os telejornais.
Se o religioso animal racional, tido como imagem e semelhança do Criador, é capaz de atentar contra a própria espécie, matando seus genitores e descendentes, o que dizer com relação aos cães, gatos e cavalos que impiedosamente são abandonados à própria sorte, quando não são friamente executados. Geralmente porque ficou velho demais, deixou de ser aquele filhotinho gracioso, come muito, ficou doente, perdeu a utilidade ou simplesmente não era aquele animalzinho que todos esperavam.
Quem possui um animal doméstico tem de estar consciente que como nós, eles sentem fome, tristeza, frio e dor. É muito triste ver um cãozinho amarrado num poste com os olhos cheios de lágrimas e latindo baixinho, esperando que uma alma piedosa passante não o ignore
Abandonar, não alimentar, espancar, envenenar, manter acorrentado, mutilar e ferir os animais é considerado maus tratos e ficam os autores sujeitos a 3 meses a um ano de detenção, aumentada de um sexto a um terço caso o animal venha a morrer, conforme o artigo 32 da Lei Federal 95.605/98.
Todo animal tem direito à vida conforme a sua longevidade natural, abandoná-lo além de cruel atrocidade é um ato desumano e um atentado contra a natureza.
domingo, 9 de maio de 2010
Agressividade normal e doentia
(Jornal Cachoeiras em 08/05/2010)
Herdado dos lobos os cães possuem uma hierarquia baseada na dominância que normalmente é exercida por um casal, o macho e a fêmea alfa.
Eles têm prioridade na alimentação, acasalamento, no sono e outras regalias; essa condição é mantida até que sua posição hierárquica seja ameaçada por outro membro da matilha, onde a agressividade é a arma freqüentemente utilizada.
Na ótica canina, nós humanos somos parte de seu grupo e conseqüentemente tidos como concorrentes nessa disputa por posição. Já presenciei situações em que o cão é o “alfa” na família, não se submetendo aos outros indivíduos homens ou animais, é aquele cão que dorme na cama do dono, assume a sua posição no sofá pra ver TV, quando a porta do carro se abre é o primeiro a entrar, e aí por diante. Não é incomum encontrarmos animais subordinados unicamente a um membro da família sendo intransigentes e até agressivos com os demais. Essa “agressividade natural” só é observada quando sua posição ou território são ameaçados.
Os cães absorvem neuroses humanas, que muitas das vezes leva-os a depressão, insegurança, tristeza, fobias e agressividade mórbida na esfera psíquica e doenças de pele, automutilações, anorexia e outras patologias no campo físico. Muitos animais conseguem entender o que falamos, ou melhor, sentem a emoção originária dos nossos pensamentos, seja de raiva, medo, alegria, afeto, ódio e nunca julgam erradamente o caráter de alguém.
A “agressividade patológica”, originária de distúrbios na relação com os humanos, além de incomoda é perigosa; muitas pessoas principalmente crianças, são vítimas de animais com distúrbios comportamentais adquiridos na família a qual pertencem, esses animais geralmente sofrem agressões físicas e psíquicas, como falta de amor, fome, desrespeito, espancamento, clausura em canis ou confinamento em correntes.
A relação com os animais não deve ser possessiva e nem neurótica e sim fundamentada na sensibilidade, no respeito, na racionalidade e no amor. Amem e os respeitem e eles serão indivíduos tranqüilos, seguros, confiáveis e sem neuroses.
Herdado dos lobos os cães possuem uma hierarquia baseada na dominância que normalmente é exercida por um casal, o macho e a fêmea alfa.
Eles têm prioridade na alimentação, acasalamento, no sono e outras regalias; essa condição é mantida até que sua posição hierárquica seja ameaçada por outro membro da matilha, onde a agressividade é a arma freqüentemente utilizada.
Na ótica canina, nós humanos somos parte de seu grupo e conseqüentemente tidos como concorrentes nessa disputa por posição. Já presenciei situações em que o cão é o “alfa” na família, não se submetendo aos outros indivíduos homens ou animais, é aquele cão que dorme na cama do dono, assume a sua posição no sofá pra ver TV, quando a porta do carro se abre é o primeiro a entrar, e aí por diante. Não é incomum encontrarmos animais subordinados unicamente a um membro da família sendo intransigentes e até agressivos com os demais. Essa “agressividade natural” só é observada quando sua posição ou território são ameaçados.
Os cães absorvem neuroses humanas, que muitas das vezes leva-os a depressão, insegurança, tristeza, fobias e agressividade mórbida na esfera psíquica e doenças de pele, automutilações, anorexia e outras patologias no campo físico. Muitos animais conseguem entender o que falamos, ou melhor, sentem a emoção originária dos nossos pensamentos, seja de raiva, medo, alegria, afeto, ódio e nunca julgam erradamente o caráter de alguém.
A “agressividade patológica”, originária de distúrbios na relação com os humanos, além de incomoda é perigosa; muitas pessoas principalmente crianças, são vítimas de animais com distúrbios comportamentais adquiridos na família a qual pertencem, esses animais geralmente sofrem agressões físicas e psíquicas, como falta de amor, fome, desrespeito, espancamento, clausura em canis ou confinamento em correntes.
A relação com os animais não deve ser possessiva e nem neurótica e sim fundamentada na sensibilidade, no respeito, na racionalidade e no amor. Amem e os respeitem e eles serão indivíduos tranqüilos, seguros, confiáveis e sem neuroses.
domingo, 2 de maio de 2010
Máquina de matar
(Jornal Cachoeiras em 01/05/2010)
Bastante resistentes a enfermidades e possuidores de um fenótipo privilegiado, geralmente não necessitam de anabolizantes para aumento de peso, basta uma alimentação racional de boa qualidade e exercícios moderados, sendo o excesso também prejudicial, pois expõe perigosamente suas articulações e musculaturas.
Os cruzamentos feitos nos EUA originaram uma diversidade fenotípica que tornou difícil afirmar um padrão único para a raça, o que não acontece com seu parente próximo Starffordshire terrier, porém algumas características devem ser observadas: as orelhas podem ou não ser amputadas, sendo tal prática atualmente proibida por lei; a trufa (nariz) pode ser marrom, vermelha ou preta e o stop bem pronunciado; é permitida qualquer cor de pelagem. Possuem ainda a cabeça retangular, cujo crânio é achatado e mais largo na inserção das orelhas; a cauda é curta, se comparada ao corpo, fugindo ao padrão quando mantida sobre o dorso ou curvada e, olhos claros ou escuros, desde que arredondados.
Ocorre uma grande variação de temperamento dependendo do genótipo; desde animais extremamente agressivos, até verdadeiros cavalheiros seguros e controláveis.
Tanto o Pit Bull como o Starffordshire possuem forte inclinação para o ataque, não é incomum brigas entre mãe e filho e entre irmãos, mesmo de sexos diferentes.
É fundamental, ao escolher um filhote, ter conhecimento do temperamento da sua ascendência e atenção redobrada na importantíssima fase de socialização. O controle da agressividade é diretamente proporcional ao desenvolvimento psíquico nesta fase. Cães que recebem uma socialização inadequada terão considerável tendência a agressividade mórbida e ao descontrole emocional.
Os animais que são utilizados em rinhas ou com objetivos nada humanos passam por um cruel ritual desde filhotes, tornando-se verdadeiras máquinas de matar. Ficam presos em cavernas escuras por longos períodos, são humilhados e incentivados ao descontrole. Gatos, coelhos e aves vivas são usados nesse insano treinamento e os filhotes são estimulados a destroçar os pobres vira-latas.
Quem escolhe um Pit Bull deve ter consciência que tem sob sua responsabilidade um animal que se bem conduzido será um excelente guarda e um fiel companheiro porém, se negligenciado, invariavelmente se tornará numa arma letal com impacto mandibular de quase 1 tonelada de força. Realmente é uma arma bastante pesada.
Bastante resistentes a enfermidades e possuidores de um fenótipo privilegiado, geralmente não necessitam de anabolizantes para aumento de peso, basta uma alimentação racional de boa qualidade e exercícios moderados, sendo o excesso também prejudicial, pois expõe perigosamente suas articulações e musculaturas.
Os cruzamentos feitos nos EUA originaram uma diversidade fenotípica que tornou difícil afirmar um padrão único para a raça, o que não acontece com seu parente próximo Starffordshire terrier, porém algumas características devem ser observadas: as orelhas podem ou não ser amputadas, sendo tal prática atualmente proibida por lei; a trufa (nariz) pode ser marrom, vermelha ou preta e o stop bem pronunciado; é permitida qualquer cor de pelagem. Possuem ainda a cabeça retangular, cujo crânio é achatado e mais largo na inserção das orelhas; a cauda é curta, se comparada ao corpo, fugindo ao padrão quando mantida sobre o dorso ou curvada e, olhos claros ou escuros, desde que arredondados.
Ocorre uma grande variação de temperamento dependendo do genótipo; desde animais extremamente agressivos, até verdadeiros cavalheiros seguros e controláveis.
Tanto o Pit Bull como o Starffordshire possuem forte inclinação para o ataque, não é incomum brigas entre mãe e filho e entre irmãos, mesmo de sexos diferentes.
É fundamental, ao escolher um filhote, ter conhecimento do temperamento da sua ascendência e atenção redobrada na importantíssima fase de socialização. O controle da agressividade é diretamente proporcional ao desenvolvimento psíquico nesta fase. Cães que recebem uma socialização inadequada terão considerável tendência a agressividade mórbida e ao descontrole emocional.
Os animais que são utilizados em rinhas ou com objetivos nada humanos passam por um cruel ritual desde filhotes, tornando-se verdadeiras máquinas de matar. Ficam presos em cavernas escuras por longos períodos, são humilhados e incentivados ao descontrole. Gatos, coelhos e aves vivas são usados nesse insano treinamento e os filhotes são estimulados a destroçar os pobres vira-latas.
Quem escolhe um Pit Bull deve ter consciência que tem sob sua responsabilidade um animal que se bem conduzido será um excelente guarda e um fiel companheiro porém, se negligenciado, invariavelmente se tornará numa arma letal com impacto mandibular de quase 1 tonelada de força. Realmente é uma arma bastante pesada.
sábado, 10 de abril de 2010
Dengue, a guerra perdida
(Cachoeiras Jornal - 10/04/2010)
O Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue no meio urbano, chegou a ser erradicado do país nos anos 50, mas retornou na década de 80 através do território de Roraima. De lá pra cá tomou conta do Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.
Adoecem a cada ano aproximadamente 80 milhões de pessoas em todo mundo pela sua picada. Em 2007 ocorreu uma grande epidemia no país com mais de 550.000 casos, dos quais 250 morreram com manifestações hemorrágicas.
Na atual conjuntura, a erradicação do Aedes é quase impossível, só restando o domínio de sua densidade para que o vírus DEN não se propague nas populações.
A utilização por si só de venenos larvicidas e adulticidas, além de ruinosa ao meio ambiente, tem se mostrado ineficaz, sem contar com o aparecimento de gerações de adultos e larvas resistentes.
Nosso geoclima tropical propicia a proliferação em curto espaço de tempo desse inseto, soma-se a este evento a pouca informação, a deseducação coletiva e a tênue interação do poder público com a população. Sem essa imprescindível relação nas ações de combate, a guerra estará sempre perdida.
Esse díptero possui armas poderosas: coloca mais de 300 descendentes a cada postura; pode voar a mais de mil metros do seu local de ovoposição; se multiplica com grande facilidade em qualquer depósito natural ou artificial que acumule água; deposita seus ovos na parede dos recipientes onde permanecem dessecados e viáveis por até um ano mesmo sem água, e encontram em cada habitação humana, potenciais criadouros para a sua perpetuação.
Ele é capaz de detectar o calor dos mamíferos de sangue quente e perceber o dióxido de carbono e o acido lático que exalamos na respiração a uma distância de quase 40 metros, vindo em nossa direção. No suor liberamos substâncias que também o atrai – pessoas que transpiram muito são mais vulneráveis à sua investida.
Existem estudos voltados ao desenvolvimento de métodos de monitoramento do mosquito através de armadilhas, uso de produtos atraentes, emprego de computadores portáteis e mapas geo-referenciados além da utilização de substâncias de controle alternativo como sal, água sanitária e borra de café.
Desestabilizar os focos e criadouros do vetor da dengue e febre amarela é tarefa de cada um, intransferível.
O Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue no meio urbano, chegou a ser erradicado do país nos anos 50, mas retornou na década de 80 através do território de Roraima. De lá pra cá tomou conta do Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.
Adoecem a cada ano aproximadamente 80 milhões de pessoas em todo mundo pela sua picada. Em 2007 ocorreu uma grande epidemia no país com mais de 550.000 casos, dos quais 250 morreram com manifestações hemorrágicas.
Na atual conjuntura, a erradicação do Aedes é quase impossível, só restando o domínio de sua densidade para que o vírus DEN não se propague nas populações.
A utilização por si só de venenos larvicidas e adulticidas, além de ruinosa ao meio ambiente, tem se mostrado ineficaz, sem contar com o aparecimento de gerações de adultos e larvas resistentes.
Nosso geoclima tropical propicia a proliferação em curto espaço de tempo desse inseto, soma-se a este evento a pouca informação, a deseducação coletiva e a tênue interação do poder público com a população. Sem essa imprescindível relação nas ações de combate, a guerra estará sempre perdida.
Esse díptero possui armas poderosas: coloca mais de 300 descendentes a cada postura; pode voar a mais de mil metros do seu local de ovoposição; se multiplica com grande facilidade em qualquer depósito natural ou artificial que acumule água; deposita seus ovos na parede dos recipientes onde permanecem dessecados e viáveis por até um ano mesmo sem água, e encontram em cada habitação humana, potenciais criadouros para a sua perpetuação.
Ele é capaz de detectar o calor dos mamíferos de sangue quente e perceber o dióxido de carbono e o acido lático que exalamos na respiração a uma distância de quase 40 metros, vindo em nossa direção. No suor liberamos substâncias que também o atrai – pessoas que transpiram muito são mais vulneráveis à sua investida.
Existem estudos voltados ao desenvolvimento de métodos de monitoramento do mosquito através de armadilhas, uso de produtos atraentes, emprego de computadores portáteis e mapas geo-referenciados além da utilização de substâncias de controle alternativo como sal, água sanitária e borra de café.
Desestabilizar os focos e criadouros do vetor da dengue e febre amarela é tarefa de cada um, intransferível.
sexta-feira, 19 de março de 2010
A crônica do jacaré
(Jornal Cachoeiras em 20/03/2010)
Paralisado no acostamento da Niterói - Friburgo nas imediações da Castália por problemas de locomoção, foi visto agonizando o sofrido “jacaré”. Vomitando óleo queimado, parecia padecer de alguma outra patologia de maior gravidade.
Certo dia, extremamente exausto e com sérios distúrbios mecânicos em sua traseira esquerda, rumou para a aprazível Boca do Mato, só não conseguiu chegar no ponto final porque entalou de lado na cancela “daquela” praça de pedágio. Só lhe restou uma humilhante marcha ré de volta à garagem, e aos seus ilustres passageiros prosseguirem na viação canela, até porque naquele horário, por volta das sete e meia da noite, as “lagartixas” já estavam dormindo.
Esses aligátores já passaram da terceira idade, suas artroses férricas e engrenagens enferrujadas impedem-lhes de cumprir, e com razão, seu horário de trabalho, deixando a pé e na mão os que deles dependem.
Há quem sinta falta da saudosa “perua”, que foi a antecessora do “jacaré”; há os que torcem pela substituição imediata dos atuais espécimes, por outros mais novos, seguros, e cumpridores de seus horários; e outros mais cruéis, acham que o melhor para os crocodilianos é um merecido descanso na “cidade dos pneus juntos”, isto é, num tranqüilo e enferrujado ferro velho.
É preocupante imaginar o velho “Jaca” desgovernado despencando sem breque por entre as curvas da zona sul do Paraíso das Águas Cristalinas.
Cada vez mais intenso é o tráfego de veículos pesados no seu itinerário, pondo em risco a sua integridade e as vidas humanas que dele depende.
Paralisado no acostamento da Niterói - Friburgo nas imediações da Castália por problemas de locomoção, foi visto agonizando o sofrido “jacaré”. Vomitando óleo queimado, parecia padecer de alguma outra patologia de maior gravidade.
Certo dia, extremamente exausto e com sérios distúrbios mecânicos em sua traseira esquerda, rumou para a aprazível Boca do Mato, só não conseguiu chegar no ponto final porque entalou de lado na cancela “daquela” praça de pedágio. Só lhe restou uma humilhante marcha ré de volta à garagem, e aos seus ilustres passageiros prosseguirem na viação canela, até porque naquele horário, por volta das sete e meia da noite, as “lagartixas” já estavam dormindo.
Esses aligátores já passaram da terceira idade, suas artroses férricas e engrenagens enferrujadas impedem-lhes de cumprir, e com razão, seu horário de trabalho, deixando a pé e na mão os que deles dependem.
Há quem sinta falta da saudosa “perua”, que foi a antecessora do “jacaré”; há os que torcem pela substituição imediata dos atuais espécimes, por outros mais novos, seguros, e cumpridores de seus horários; e outros mais cruéis, acham que o melhor para os crocodilianos é um merecido descanso na “cidade dos pneus juntos”, isto é, num tranqüilo e enferrujado ferro velho.
É preocupante imaginar o velho “Jaca” desgovernado despencando sem breque por entre as curvas da zona sul do Paraíso das Águas Cristalinas.
Cada vez mais intenso é o tráfego de veículos pesados no seu itinerário, pondo em risco a sua integridade e as vidas humanas que dele depende.
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